sexta-feira, 13 de maio de 2011

Exercícios – Quinhentismo

Leia os textos

Carta

A “certidão de nascimento” do país é um documento importantíssimo, pois, além das primeiras informações sobre o Brasil a El-rei D. Manuel, é também o texto que marca o princípio da literatura brasileira.
A Carta de Caminha, embora escrita nos primórdios do descobrimento (1500), só veio a ser impressa em 1817, na Corografia Brasílica, pela Imprensa Régia do Rio de Janeiro.

Trecho 1

Senhor

Mesmo que o Capitão-mor desta vossa frota e também os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta vossa Terra Nova que, agora, nesta navegação se achou, não deixarei, também, de dar disso minha conta a Vossa Alteza, tal como eu melhor puder ainda que para bem contar e falar o saiba fazer pior que todos. Mas tome Vossa Alteza a minha ignorância por boa vontade; e creia, como certo, que não hei de pôr aqui mais que aquilo que vi e me pareceu, nem para aformosear nem para afear.

Trecho 2

Então seguimos nosso caminho, por esse mar de longo até terça-feira de Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de Abril, quando topamos alguns sinais de terra, sendo da dita ilha, segundo os pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas; os sinais eram: muita quantidade de ervas compridas, às quais os mareantes chamam Botelho; e, ainda, outras a que também chamam rabo d’asno. Na quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam fura-buchos e neste dia, a horas de véspera, avistamos terra, a saber: Em primeiro lugar um monte grande, muito alto e redondo e outras serras mais baixas ao sul dele; e terras rasas, com grandes arvoredos. Ao mesmo monte alto pôs o Capitão o nome de Monte Pascoal; e à terra – Terra de Vera Cruz.

Trecho 3

A feição deles é serem pardos, quase avermelhados, de rostos regulares e narizes bem feitos; andam nus sem nenhuma cobertura; nem se importam de cobrir nenhuma coisa, nem de mostrar suas vergonhas. E sobre isto são tão inocentes, como em mostrar o rosto.
(...) Os seus cabelos são corredios; e andavam tosquiados de tosquia mais alta que sobre-pente de bom tamanho e raspado até acima das orelhas. Um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte por detrás, uma espécie de cabeleira, de penas de ave, amarela, que seria do comprimento de um coto.

Texto 4

Mas, a terra em si é muito boa de ares, tão frios e temperados, como o Entre-Douro e Minho, porque, neste tempo de agora, assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas e infindas. De tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem. Mas o melhor fruto que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente; e esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza nela deve lançar.
(...) E desta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza notícia do que nesta terra vi.
(...) Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro da Vossa ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro de maio de 1500.


História da província de Santa Cruz

O texto selecionado do principal livro de Pero de Magalhães Gândavo traz a visão do colonizador sobre o povo colonizado em que se vê uma forte posição etnocêntrica e moralista.

"Estes índios são de cor baça, e cabelo corredio; têm o rosto amassado, e algumas feições dele à maneira de chinês. Pela maior parte são bem dispostos, rijos e de boa estatura; gente mui esforçada, e que estima pouco morrer, temerária na guerra, e de muito pouca consideração: são desagradecidos em grande maneira, e mui desumanos e cruéis, inclinados a pelejar, e vingativos por extremo. Vivem todos mui descansados sem terem outros pensamentos senão comer, beber, e matar gente, e por isso engordam muito, mas com qualquer desgosto pelo conseguinte tornam a emagrecer, e muitas vezes pode deles tanto a imaginação que se algum deseja a morte, ou alguém lhe mete em cabeça que há de morrer tal dia ou tal noite não passa daquele termo que não morra. São mui inconstantes e mudáveis: crêem de ligeiro tudo aquilo que lhes persuadem por dificultoso e impossível que seja, e com qualquer dissuasão facilmente o tornam logo a negar. São mui desonestos e dados à sensualidade, e assim se entregam aos vícios como se neles não houvera razão de homens: ainda que todavia em seu ajuntamento os machos e fêmeas têm o devido resguardo, e nisto mostram ter alguma vergonha.
A língua de que usam, toda pela costa, é uma: ainda que em certos vocábulos difere n’algumas partes; mas não de maneira que se deixem uns aos outros de entender: e isto até a altura de vinte e sete graus, que daí por diante há outra gentilidade, de que nós não temos tanta notícia, que falam já outra língua diferente. Esta de que trato, que é geral pela costa, é mui branda, e a qualquer nação fácil de tomar. Alguns vocábulos há nela de que não usam senão as fêmeas, e outros que não servem senão para os machos: carece de três letras, convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto porque assim não tem Fé, nem Lei, nem Rei e desta maneira vivem desordenadamente sem terem além disto conta nem peso, nem medida."

1. Que preocupação da parte de Caminha é notável no primeiro trecho?

2. Sem dúvida, todos identificarão a frase: “De tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem”. Essa frase tornou-se marca de quê?

3. Repare na descrição do gentio, feita por Pero Vaz de Caminha:
“A feição deles é serem pardos, quase avermelhados, de rostos regulares e narizes bem feitos; andam nus sem nenhuma cobertura; nem se importam de cobrir nenhuma coisa, nem de mostrar suas vergonhas”

Compare-a, agora, à descrição feita por Gândavo:

“Estes índios são de cor baça, e cabelo corredio; têm o rosto amassado, e algumas feições dele à maneira de chinês. Pela maior parte são bem dispostos, rijos e de boa estatura (...)”

a) O que é semelhante na descrição de ambos?
b) O que é diferente na descrição de ambos?

4. Ao mencionar o idioma falado pelos indígenas, Gândavo tece um juízo de valor a respeito da organização social do gentio. Explique.

5. Explique a seguinte afirmação: “os escritos dos cronistas e viajantes tinham caráter marcadamente descritivo”. O que descreviam? Qual era a intenção desses textos?


Leia os seguintes versos:

A SANTA INÊS


Cordeirinha linda,
Como folga o povo
Porque vossa vinda
Lhe dá lume novo!

Cordeirinha santa,
De Jesus querida,
Vossa santa vinda
O diabo espanta.
Por isso vos canta,
Com prazer, o povo,
Porque vossa vinda
Lhe dá lume novo.

Nossa culpa escura
Fugirá depressa,
Pois vossa cabeça
Vem com luz tão pura.

Vossa formosura
Honra é do povo,
Porque vossa vinda
Lhe dá lume novo.

Virginal cabeça
Pela fé cortada,
Com vossa chegada,
Já ninguém pereça.

Vinde mui depressa
Ajudar o povo,
Pois com vossa vinda
Lhe dais lume novo!

Vós sois, cordeirinha,
De Jesus formoso,
Mas o vosso esposo
Já vos fez rainha.

Também padeirinha
Sois de nosso povo,
Pois, com vossa vinda,
Lhe dais lume novo.

(José de Anchieta)



1. Por meio da utilização de um refrão, a Santa Inês é a todo o momento associada a uma mudança que se opera em um ente. Que ente é este? Que efeitos de sentido tanto a repetição em refrão quanto esta associação trazem para o texto?

2. O tipo de composição que Anchieta escolheu – poema em quadras, com versos curtos, repetições, ritmo saltitante – aponta para a intenção primeira do padre missionário. Qual seria ela?

3. O poema parece ter sido feito para ser declamado. O que lhe parece essa afirmativa? A que tipo de prática religiosa pode se relacionar o poema?

Leia a seguinte letra de Caetano Veloso

Jóia


beira de mar beira de mar
beira de maré na américa do sul
um selvagem levanta o braço
abre a mão e tira um caju
um momento de grande amor
de grande amor

copacabana copacabana
louca total e completamente louca
a menina muito contente
toca a coca-cola na boca
um momento de puro amor
de puro amor



1. Claramente, o texto articula dois momentos distintos da história deste país. Quais são eles?

2. A contraposição de momentos históricos distintos deixa ver uma leve ironia e crítica por parte do autor. Explique melhor esta afirmativa:

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