Sintagma:
Definições:
“Conjunto binário em que um dos elementos subordina o outro” (Aquino)
“(...) combinação (binária) de formas em que um elemento determinante cria um elo de subordinação com outro elemento, que é o determinado” (Ribeiro)
“(...) grupo de elementos linguísticos que formam uma unidade numa organização hierarquizada” (Dubois et al)
Conjunto de elementos em relação de subordinação
Sintagma = determinante + determinado
Tipos (Aquino):
Lexical (a)
Locucional (b)
Oracional e suboracional (c e c`)
Superoracional (d)
Exs.
(a) Aluna - alun- + -a
dto. dte.
(b) Meu amigo - meu + aluno
dte. dto.
(c) João adora chocolate - João + adora chocolate
dto. dte.
(c`) adora chocolate - adora + chocolate
dto. dte.
(d) Eu quero que você venha - Eu quero + que você venha
dto. dte.
Nome:
“Em gramática, qualquer palavra que se opõe ao verbo e que admite a flexão de gênero e número. Por isso se diz nome substantivo e nome adjetivo.” (Aquino)
(Bechara, Dubois, Perini e Ribeiro não apresentam definição)
Nome - termo que corresponde às palavras que são ou podem funcionar como substantivo.
Determinante:
“(...) termo acessório, menos importante, subordinado ao outro” (Aquino)
Bechara não define determinante mas numa nota de rodapé o entende como elemento que compreende as noções de adjunto e complemento.
Determinante à termo simples, locucional ou oracional que se articula com o nome modificando-o semântica1 e sintaticamente2.
1. Modifica o sentido;
2. Modifica sua função (passa a determinado)
Das classes envolvidas:
1. Substantivo – denominativo
Flexiona em gênero e número
Varia em grau
Funciona como núcleo do sintagma nominal
Pronome substantivo
Numeral substantivo
Adjetivo substantivado
Advérbio substantivado
2. Artigo – indicador de gênero e número
Flexiona em gênero e número
Funciona como adjunto adnominal
Pode se fundir com preposições
Ex. O artigo indica o gênero e o número dos seus determinados.
A classe dos artigos indica as noções de gênero e número das palavras determinadas.
3. Adjetivo – qualificador (compreende as locuções adjetivas)*
Flexiona em gênero e número
Varia em grau
Funciona como adjunto adnominal e predicativo
Ex. O artigo indica o gênero e o número dos seus determinados.
A classe dos artigos indica as noções de gênero e número das palavras.
* As orações adjetivas também integram este grupo (determinante oracional)
4. Pronome – substitui (pronome substantivo) ou acompanha (pronome adjetivo) o nome
Flexiona em gênero e número
Indica a pessoa do discurso
Dividem-se em: pessoal; interrogativo; relativo; possessivo; demonstrativo; indefinido
Funciona (quando na função de adjetivo) como adjunto adnominal ou predicativo
Ex.
O artigo indica o gênero e o número dos seus determinados.
Aquele artigo indica o gênero e o número dos seus determinados.
Todo artigo indica o gênero e o número dos seus determinados.
5. Numeral – refere-se a números
Flexiona em gênero e número
Divisão: cardinal; ordinal; multiplicativo; fracionário
Funciona como adjunto adnominal e predicativo
OBS. Os determinantes podem se colocar tanto antes quanto depois dos termos determinados; apenas o artigo, a locução adjetiva, os demonstrativos e orações adjetivas possuem lugar fixo (artigo, antes; locução, depois; orações, depois ou intercalada)
Há casos de ordem inversa da língua em que as locuções aparecem antes, no entanto são raros
“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas” = As margens plácidas do Ipiranga ouviram
Há casos em que a inversão provoca alterações de sentido:
Amigo velho Vs Velho amigo
Algum problema Vs Problema algum
Há casos em que a mudança do artigo provoca alterações de sentido:
A capital Vs O capital
O moral Vs A moral
O bem Vs Os bens
A féria Vs As férias
Das funções sintática dos determinantes:
I – Adjunto adnominal – termo que determina o núcleo de um SN
Artigo
Adjetivo
Locução adjetiva
Numeral adjetivo
Pronome adjetivo
Oração subordinada adjetiva
Exs:
O pássaro
Bela menina
Casa de pedra
Tenho duas irmãs.
Minha camisa
É uma pessoa que se cuida.
II – Complemento Nominal – Termo que se liga a substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio
Locução
Exs.
Tenho certeza do seu sucesso.
Estava pronto para tudo.
Estava longe da mesa.
III – Predicativo – termo que se liga ao sujeito ou ao objeto para modificar-lhes o sentido. Apenas o predicativo do objeto é considerado um determinante.
Estruturas:
P.S. à S + VL + P O aluno anda cansado.
P.O. à S + VT + O + P Deixem o corredor limpo.
IV – Aposto – termo especificativo que se liga a um nome.
Ex.
Márcio, o assassino da barra de ferro, foi finalmente capturado.
Casos de difícil distinção:
Adjunto e complemento
Quando ligados a um substantivo, podem se confundir facilmente; critério da atividade/passividade
A partida de futebol Vs A partida dos jogadores
A pesquisa da vacina Vs A pesquisa dos cientistas
A descoberta da cura Vs A descoberta dos doutores
Adjunto e aposto (especificativo ou especificador)
Será aposto se houver uma relação de contigüidade (proximidade/correspondência) entre determinado e determinante
O rio Iguaçu secou.
O professor Fábio morreu.
O mês de julho voou.
A cidade de Paracambi é pacata.
Adjunto e predicativo (do objeto)
Para distinguir, substitui-se o complemento por pronome; se o modificador permanecer, predicativo, caso contrário, adjunto. Veja:
O promotor considerou as questões nulas.
O Promotor considerou-as nulas.
Logo, Predicativo
O promotor proferiu decisões nulas.
O promotor proferiu-as.
Logo, adjunto
Bibliografia:
AQUINO, Renato. Dicionário de Gramática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001.
DUBOIS, Jean (org). Dicionário de Linguística. São Paulo: Cultrix, 1998.
PERINI, Mário A. Gramática Descritiva do Português. São Paulo: Ática, 2001.
RIBEIRO, Manuel P. Nova Gramática Aplicada da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Metáfora, 2002.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Complementos verbais
Objeto direto, indireto, direto preposicionado, indireto não preposicionado, direto e indireto pleonástico
Fatores:
* Verbos nocionais Vs Verbos relacionais
Verbos nocionais constituem os predicados verbais ou os verbo-nominais; já os relacionais são característicos dos nominais
* Nocionais – transitivo (direto, indireto ou direto e indireto)
* Transitividade e semântica
O sentido do verbo pode determinar a sua transitividade
Assistir – visar – atender – chamar – aspirar – assistir.
Exemplos:
Assisti os necessitados.
O inspetor visou todos os diplomas.
Este trabalho visa ao aprendizado.
Não o atendi com prazer.
Assisti a uma de suas aulas.
Não atendi ao seu apelo.
Eu chamei minha irmã o nais alto que pude.
Chamavam-lhe de maluco.
Aspira o pó.
Aspirei ao cargo de coordenador.
1. Objeto direto preposicionado:
Verbos de sentimento
Para evitar ambiguidades
Enfatiza o complemento
Realçar ideia de porção
Ele só ama a você, Ana.
A Abel matou Caim.
Cumpri com o prometido.
Tomava do vinho com prazer.
2. Objeto indireto sem preposição:
Ocorre nos casos em que o pronomes oblíquos são complementos
Emprestei-lhe minhas revistas.
Ele nos enviou umas revistas russas.
3. Objeto direto e indireto pleonásticos
Três fatores:
Do papel do anacoluto
Da topicalização
Do pleonasmo sintático
Estas meninas, já as vi em algum lugar.
Às minhas poesias, não lhes dava nenhuma atenção.
4. Objeto direto interno
Também um caso de pleonasmo, consiste em objeto que reforça a ideia já contida no verbo:
Morreu morte infame.
“E rir meu riso e derramar meu pranto.”
Nós cantamos um canto glorioso.
Dormir um sono bom
Fatores:
* Verbos nocionais Vs Verbos relacionais
Verbos nocionais constituem os predicados verbais ou os verbo-nominais; já os relacionais são característicos dos nominais
* Nocionais – transitivo (direto, indireto ou direto e indireto)
* Transitividade e semântica
O sentido do verbo pode determinar a sua transitividade
Assistir – visar – atender – chamar – aspirar – assistir.
Exemplos:
Assisti os necessitados.
O inspetor visou todos os diplomas.
Este trabalho visa ao aprendizado.
Não o atendi com prazer.
Assisti a uma de suas aulas.
Não atendi ao seu apelo.
Eu chamei minha irmã o nais alto que pude.
Chamavam-lhe de maluco.
Aspira o pó.
Aspirei ao cargo de coordenador.
1. Objeto direto preposicionado:
Verbos de sentimento
Para evitar ambiguidades
Enfatiza o complemento
Realçar ideia de porção
Ele só ama a você, Ana.
A Abel matou Caim.
Cumpri com o prometido.
Tomava do vinho com prazer.
2. Objeto indireto sem preposição:
Ocorre nos casos em que o pronomes oblíquos são complementos
Emprestei-lhe minhas revistas.
Ele nos enviou umas revistas russas.
3. Objeto direto e indireto pleonásticos
Três fatores:
Do papel do anacoluto
Da topicalização
Do pleonasmo sintático
Estas meninas, já as vi em algum lugar.
Às minhas poesias, não lhes dava nenhuma atenção.
4. Objeto direto interno
Também um caso de pleonasmo, consiste em objeto que reforça a ideia já contida no verbo:
Morreu morte infame.
“E rir meu riso e derramar meu pranto.”
Nós cantamos um canto glorioso.
Dormir um sono bom
Breves comentários sobre os contos do Mia Couto selecionados para leitura
As três irmãs
O conto trata da submissão feminina e de vidas sem maiores emoções. As três irmãs se definem por um afazer tipicamente feminino: a poesia, a culinária e o bordado. O conto é extremamente poético e prenhe de passagens bastante líricas. Do ponto de vista lingüístico, convém destacar o uso pronominal proclítico e o belo neologismo (cristalinda). O jogo de metonímias da última parte também merece destaque. O desfecho do conto põe em cena o inusitado como manutenção do equilíbrio (homens se beijam).
O homem cadente
O conto discute os limites entre o real e o fantástico. O elemento onírico delineia o fantástico na medida em que o personagem-narrador faz da realidade o sonho. Há ainda uma discussão acerca da histeria coletiva. Mais uma vez o uso pronominal chama atenção. É a moça o elo entre o fantástico e o real, já que ela habita dois mundos.
O cesto
Texto estruturalmente simples, mas de uma força extraordinária, traz uma mulher no papel de protagonista cujo marido se encontra em leito de morte. A figura feminina se mostra (como no 1º conto) em estado de submissão mesmo diante do desvanecimento do marido. O duelo aqui é mais uma vez travado pela vida e pela morte: a luz de um só brilha quando a do outro se apaga (“A sua vida me apagou. A sua morte me fará nascer”). Antes tal constatação, a mulher passa a desejar a morte do marido, sinônimo de sua liberdade. A morte chega para o homem, no entanto, a vida que, esperava-se, jorraria dos poros da mulher, permanece acanhada. O conto não traz inovações de estilo.
Inundação
O conto aborda o tema da ausência e das consequências que daí resultam. Embora o narrador seja um menino, mais uma vez a figura feminina ocupa o centro da narrativa. O texto fala assim da lembrança e de seu poder de dar corpo ao que está ausente. A ausência, nesse sentido, não é um vazio total, mas um espaço em branco cujos contornos são delineados pelos traços da lembrança, inundação seja de rios ou céus.
Saia almarrotada
Nesse conto a personagem é uma mulher (a única) numa família de outros tantos homens. Além de mulher, é a caçula, o que simboliza ainda mais a sua fragilidade. A mãe falece durante o seu parto: “Minha mãe nunca soletrou meu nome. Ela se calou no primeiro choro, tragada pelo silencia”. A personagem parece se sentir deslocada da família e da sociedade em si. Há um tom de impessoalidade ou despersonalização já que, com exceção de um tio (Jonjão), os pares da personagem não são dados a conhecer pelo leitor senão por termos genéricos: filharada, outras moças, mulheres etc. Portanto, é mais uma vez a mulher destituída de sua feminilidade que ocupa o centro da narrativa. O título sintetiza essa perda da feminilidade ou a sua descaracterização: o NBeologismo garante a simbiose do objeto (saia) com a figura (almarrotada) feminina.
O adiado avô
Apesar do deslocamento gerado no que diz respeito ao protagonismo (nesse conto é um homem), ainda é da condição de sofrimento da mulher que o texto trata também. Todos os personagens nomeados assim o são por neologismo, dois morfológicos (Zedmundo e Amadalena) e um semântico (Glória). É interessante notar como estes neologismos falam muito da personalidade dos personagens que nomeiam; há uma sintonia no que tange os nomes e o desenrolar da narrativa: “O velho Zedmundo nunca tivera nem rumo certo nem destino duradouro”; “(...) vendo-o assim, babado, e minguado, minha mãe entendia que o velho, seu velho homem, queria, afinal, ser sua única atenção”. O desfecho do conto, ao contrário dos anteriores, traz o clássico final feliz.
Na tal noite
O texto traz à baila a história de uma segunda mulher que só vê o pai dos seus filhos uma vez ao ano: na tal noite / a noite de natal. Há um jogo entre o título e a situação que encerra: é em noite de natal que o pai natal aparece; note-se que pai natal se opõe a pai Noel, embora haja semelhanças entre eles, nas atitudes (chega de carro a dar presentes) e no aspecto físico (são ambos corpulentos). O traço peculiar da personagem feminina está na sua aceitação – um tanto frustrada – da condição de segunda mulher. Ela louva o seu marido, Sidónio, pelo cumprimento mínimo do papel de pai, mas o papel de homem quem faz é o vizinho. Sendo assim, a personagem feminina difere das outras em termos de absoluta submissão.
O conto trata da submissão feminina e de vidas sem maiores emoções. As três irmãs se definem por um afazer tipicamente feminino: a poesia, a culinária e o bordado. O conto é extremamente poético e prenhe de passagens bastante líricas. Do ponto de vista lingüístico, convém destacar o uso pronominal proclítico e o belo neologismo (cristalinda). O jogo de metonímias da última parte também merece destaque. O desfecho do conto põe em cena o inusitado como manutenção do equilíbrio (homens se beijam).
O homem cadente
O conto discute os limites entre o real e o fantástico. O elemento onírico delineia o fantástico na medida em que o personagem-narrador faz da realidade o sonho. Há ainda uma discussão acerca da histeria coletiva. Mais uma vez o uso pronominal chama atenção. É a moça o elo entre o fantástico e o real, já que ela habita dois mundos.
O cesto
Texto estruturalmente simples, mas de uma força extraordinária, traz uma mulher no papel de protagonista cujo marido se encontra em leito de morte. A figura feminina se mostra (como no 1º conto) em estado de submissão mesmo diante do desvanecimento do marido. O duelo aqui é mais uma vez travado pela vida e pela morte: a luz de um só brilha quando a do outro se apaga (“A sua vida me apagou. A sua morte me fará nascer”). Antes tal constatação, a mulher passa a desejar a morte do marido, sinônimo de sua liberdade. A morte chega para o homem, no entanto, a vida que, esperava-se, jorraria dos poros da mulher, permanece acanhada. O conto não traz inovações de estilo.
Inundação
O conto aborda o tema da ausência e das consequências que daí resultam. Embora o narrador seja um menino, mais uma vez a figura feminina ocupa o centro da narrativa. O texto fala assim da lembrança e de seu poder de dar corpo ao que está ausente. A ausência, nesse sentido, não é um vazio total, mas um espaço em branco cujos contornos são delineados pelos traços da lembrança, inundação seja de rios ou céus.
Saia almarrotada
Nesse conto a personagem é uma mulher (a única) numa família de outros tantos homens. Além de mulher, é a caçula, o que simboliza ainda mais a sua fragilidade. A mãe falece durante o seu parto: “Minha mãe nunca soletrou meu nome. Ela se calou no primeiro choro, tragada pelo silencia”. A personagem parece se sentir deslocada da família e da sociedade em si. Há um tom de impessoalidade ou despersonalização já que, com exceção de um tio (Jonjão), os pares da personagem não são dados a conhecer pelo leitor senão por termos genéricos: filharada, outras moças, mulheres etc. Portanto, é mais uma vez a mulher destituída de sua feminilidade que ocupa o centro da narrativa. O título sintetiza essa perda da feminilidade ou a sua descaracterização: o NBeologismo garante a simbiose do objeto (saia) com a figura (almarrotada) feminina.
O adiado avô
Apesar do deslocamento gerado no que diz respeito ao protagonismo (nesse conto é um homem), ainda é da condição de sofrimento da mulher que o texto trata também. Todos os personagens nomeados assim o são por neologismo, dois morfológicos (Zedmundo e Amadalena) e um semântico (Glória). É interessante notar como estes neologismos falam muito da personalidade dos personagens que nomeiam; há uma sintonia no que tange os nomes e o desenrolar da narrativa: “O velho Zedmundo nunca tivera nem rumo certo nem destino duradouro”; “(...) vendo-o assim, babado, e minguado, minha mãe entendia que o velho, seu velho homem, queria, afinal, ser sua única atenção”. O desfecho do conto, ao contrário dos anteriores, traz o clássico final feliz.
Na tal noite
O texto traz à baila a história de uma segunda mulher que só vê o pai dos seus filhos uma vez ao ano: na tal noite / a noite de natal. Há um jogo entre o título e a situação que encerra: é em noite de natal que o pai natal aparece; note-se que pai natal se opõe a pai Noel, embora haja semelhanças entre eles, nas atitudes (chega de carro a dar presentes) e no aspecto físico (são ambos corpulentos). O traço peculiar da personagem feminina está na sua aceitação – um tanto frustrada – da condição de segunda mulher. Ela louva o seu marido, Sidónio, pelo cumprimento mínimo do papel de pai, mas o papel de homem quem faz é o vizinho. Sendo assim, a personagem feminina difere das outras em termos de absoluta submissão.
domingo, 8 de janeiro de 2012
Exercícios sobre figuras de linguagem
I.
01. (VUNESP) No trecho: "...dão um jeito de mudar o mínimo para continuar mandando o máximo", a figura de linguagem presente é chamada:
a) metáfora
b) hipérbole
c) hipérbato
d) anáfora
e) antítese
02. (PUC - SP) Nos trechos: "O pavão é um arco-íris de plumas" e "...de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira..." enquanto procedimento estilístico, temos, respectivamente:
a) metáfora e polissíndeto;
b) comparação e repetição;
c) metonímia e aliteração;
d) hipérbole e metáfora;
e) anáfora e metáfora.
03. (PUC - SP) Nos trechos: "...nem um dos autores nacionais ou nacionalizados de oitenta pra lá faltava nas estantes do major" e "...o essencial é achar-se as palavras que o violão pede e deseja" encontramos, respectivamente, as seguintes figuras de linguagem:
a) prosopopéia e hipérbole;
b) hipérbole e metonímia;
c) perífrase e hipérbole;
d) metonímia e eufemismo;
e) metonímia e prosopopéia.
04. (VUNESP) Na frase: "O pessoal estão exagerando, me disse ontem um camelô", encontramos a
figura de linguagem chamada:
a) silepse de pessoa
b) elipse
c) anacoluto
d) hipérbole
e) silepse de número
05. (ITA) Em qual das opções há erro de identificação das figuras?
a) "Um dia hei de ir embora / Adormecer no derradeiro sono." (eufemismo)
b) "A neblina, roçando o chão, cicia, em prece. (prosopopéia)
c) Já não são tão freqüentes os passeios noturnos na violenta Rio de Janeiro. (silepse de número)
d) "E fria, fluente, frouxa claridade / Flutua..." (aliteração)
e) "Oh sonora audição colorida do aroma." (sinestesia)
06. (UM - SP) Indique a alternativa em que haja uma concordância realizada por silepse:
a) Os irmãos de Teresa, os pais de Júlio e nós, habitantes desta pacata região, precisaremos de muita força para sobreviver.
b) Poderão existir inúmeros problemas conosco devido às opiniões dadas neste relatório.
c) Os adultos somos bem mais prudentes que os jovens no combate às dificuldades.
d) Dar-lhe-emos novas oportunidades de trabalho para que você obtenha resultados mais satisfatórios.
e) Haveremos de conseguir os medicamentos necessários para a cura desse vírus insubordinável a qualquer tratamento.
07. (FEI) Assinalar a alternativa correta, correspondente à figuras de linguagem, presentes nos fragmentos abaixo:
I. "Não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste."
II. "A moral legisla para o homem; o direito para o cidadão."
III. "A maioria concordava nos pontos essenciais; nos pormenores porém, discordavam."
IV. "Isaac a vinte passos, divisando o vulto de um, pára, ergues a mão em viseira, firma os olhos."
a) anacoluto, hipérbato, hipálage, pleonasmo;
b) hipérbato, zeugma, silepse, assíndeto;
c) anáfora, polissíndeto, elipse, hipérbato;
d) pleonasmo, anacoluto, catacrese, eufemismo;
e) hipálage, silepse, polissíndeto, zeugma.
08. (FEBA - SP) Assinale a alternativa em que ocorre aliteração:
a) "Água de fonte .......... água de oceano ............. água de pranto. (Manuel Bandeira)
b) "A gente almoça e se coça e se roça e só se vicia." (Chico Buarque)
c) "Ouço o tique-taque do relógio: apresso-me então." (Clarice Lispector)
d) "Minha vida é uma colcha de retalhos, todos da mesma cor." (Mário Quintana)
e) N.d.a.
09. (CESGRANRIO) Na frase "O fio da idéia cresceu, engrossou e partiu-se" ocorre processo de gradação. Não há gradação em:
a) O carro arrancou, ganhou velocidade e capotou.
b) O avião decolou, ganhou altura e caiu.
c) O balão inflou, começou a subir e apagou.
d) A inspiração surgiu, tomou conta de sua mente e frustrou-se.
e) João pegou de um livro, ouviu um disco e saiu.
10. (FATEC) "Seus óculos eram imperiosos." Assinale a alternativa em que aparece a mesma figura de linguagem que há na frase acima:
a) "As cidades vinham surgindo na ponte dos nomes."
b) "Nasci na sala do 3° ano."
c) "O bonde passa cheio de pernas."
d) "O meu amor, paralisado, pula."
e) "Não serei o poeta de um mundo caduco."
II.
Exercício 1: No enunciado: “Virgílio, traga-me uma coca cola bem gelada!”, registra-se uma figura de linguagem denominada:
A) anáfora
B) personificação
C) antítese
D) catacrese
E) metonímia
Exercício 2: (FMU) Quando você afirma que enterrou “no dedo um alfinete”, que embarcou “no trem” e que serrou “os pés da mesa”, recorre a um tipo de figura de linguagem denominada:
A) metonímia
B) antítese
C) paródia
D) alegoria
E) catacrese
Exercício 3: (U. Taubaté) No sintagma: “Uma palavra branca e fria”, encontramos a figura denominada:
A) sinestesia
B) eufemismo
C) onomatopéia
D) antonomásia
E) catacrese
Exercício 4: (FAU-Santos) Nos versos: “Bomba atômica que aterra
Pomba atônita da paz
Pomba tonta, bomba atômica…”
A repetição de determinados elemento fônicos é um recurso estilístico denominado:
A) hiperbibasmo
B) sinédoque
C) metonímia
D) aliteração
E) metáfora
Exercício 5: (Maringá) Leia os versos e depois assinale a alternativa correta:
“Amo do nauta o doloroso grito
Em frágil prancha sobre o mar de horrores,
Porque meu seio se tornou pedra,
Porque minh’alma descorou de dores.” (Fagundes Varela)
No primeiro verso, há uma figura que se traduz por:
A) pleonasmo
B) hipérbato
C) gradação
D) anacoluto
E) anáfora
Exercício 6: (Cesesp – PE) Leia atentamente os períodos:
1.Vários de nós ficamos surpresos.
2.Essa gente está furiosa e com medo; por consequência, capazes de tudo.
3.Tua mãe, não há idade nem desgraça que lhe transforme o sorriso.
4.Entre elas, alguém estava envergonhada.
Os períodos aça contêm, respectiva e sucessivamente, as seguintes figuras de sintaxe:
A) Silepse de pessoa, silepse de gênero, anacoluto, silepse de número.
B) Anacoluto, anacoluto, anacoluto, silepse de número.
C) Silepse de número, silepse de pessoa, anacoluto, anacoluto.
D) Silepse de pessoa, silepse de número, anacoluto, silepse de gênero.
E) Silepse de pessoa, anacoluto, silepse de gênero, anacoluto.
Exercício 7: (Inatel) Reconheça e classifique as figuras de palavras, de construção e de pensamento:
( ) “Quando uma lousa cai sobre um cadáver mudo”.
( ) “Terrível hemorragia de sangue”.
( ) “Das idades através”.
( ) “Oxalá tenham razão”.
( ) “Trejeita, e canta, e ri nervosamente”.
•(1) Polissíndeto
•(2) Hipérbato
•(3) Epíteto
•(4) Pleonasmo
•(5) Elipse
A sequência que corresponde à resposta correta é:
A) 4,3,5,2,1
B) 3,4,2,1,5
C) 3,4,2,5,1
D) 3,4,5,2,1
E) 1,3,2,5,4
Exercício 8: (Cescea) Identifique os recursos estilísticos empregados no texto:
“Nem tudo tinham os antigos, nem tudo temos, os modernos”. (Machado de Assis)
A) anáfora – antítese – silepse
B) metáfora – antítese – elipse
C) anástrofe – antítese – zeugma
D) pleonasmo – antítese – silepse
E) anástrofe – comparação – parábola
Exercício 9: (Mack) Nos versos abaixo, uma figura se ergue graças co conflito de duas visões antagônicas:
“Saio do hotel com quatro olhos,
- Dois do presente,
- Dois do passado.”
Esta figura de linguagem recebe o nome de:
A) metonímia
B) catacrese
C) hipérbole
D) antítese
E) hipérbato
Exercício 10: (FUVEST) Identifique a figura de linguagem empregada nos versos destacados:
“No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos!”
A) antítese
B) anacoluto
C) hipérbole
D) litotes
E) paragoge
Exercício 11: (FUVEST) A figura de linguagem empregada nos versos em destaque é:
“Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável)
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!”
A) clímax
B) eufemismo
C) sínquise
D) catacrese
E) pleonasmo
Exercício 12: Em cada um dos períodos abaixo ocorre uma silepse. Marque a alternativa que classifica corretamente cada uma delas.
1.“Está uma pessoa ouvindo missa, meia-hora o cansa e atormenta e faz romper em murmurações”.
2.“E todos assim nos distraímos nesses preparativos”. (Aníbal Machado)
3.“A multidão vai subindo, subiram, subiram mais”. (Murilo Mendes)
A) silepse de gênero, silepse de número, silepse de número.
B) silepse de pessoa, silepse de número, silepse de pessoa.
C) silepse de gênero, silepse de pessoa, silepse de pessoa.
D) silepse de gênero, silepse de pessoa, silepse de número.
E) silepse de número, silepse de pessoa, silepse de gênero.
Nos exercícios de número 1 a 20, faça a associação de acordo com o seguinte código:
a) elipse g) anacoluto
b) zeugma h) silepse de gênero
c) pleonasmo i) silepse de número
d) polissíndeto j) silepse de pessoa
e) assíndeto l) anáfora
f) hipérbato m) anástrofe
1. ( ) “Dizem que os cariocas somos pouco dados aos jardins públicos.”(Machado de Assis)
2. ( ) “Aquela mina de ouro, ele não ia deixar que outras espertas botassem as mãos.” (José Lins do Rego)
3) ( ) “Este prefácio, apesar de interessante, inútil.” (Mário Andrade)
4. ( ) “Era véspera de Natal, as horas passavam, ele devia de querer estar ao lado de lá-Dijina, em sua casa deles dois, da outra banda, na Lapa-Laje.” (Guimarães Rosa)
5. ( ) “Em volta: leões deitados, pombas voando, ramalhetes de flores com laços de fitas, o Zé-Povinho de chapéu erguido.”
(Aníbal Machado)
6. ( ) “Sob os tetos abatidos e entre os esteios fumegantes, deslizavam melhor, a salvo, ou tinham mais invioláveis esconderijos, os sertanejos emboscados. “ (Euclides da Cunha)
7. ( ) V. Exa. está cansado?
8. ( ) “Caça, ninguém não pegava... (Mário de Andrade)
9. ( ) “Mas, me escute, a gente vamos chegar lá.”(Guimarães Rosa)
10. ( ) “Grande parte, porém, dos membros daquela assembléia estavam longe destas idéias.”(Alexandre Herculano)
11. ( ) “E brinquei, e dancei e fui
Vestido de rei....”(Chico Buarque)
12. ( ) “Wilfredo foge. O horror vai com ele, inclemente. Foge, corre, e vacila, e tropeça e resvala, E levanta-se, e foge alucinadamente....”(Olavo Bilac)
13. ( ) “Agachou-se, atiçou o fogo, apanhou uma brasa com a colher, acendeu o cachimbo, pôs-se a chupar o canudo do taquari cheio de sarro.” (Graciliano Ramos)
14. ( ) “Tão bom se ela estivesse viva me ver assim.”
(Antônio Olavo Pereira)
15. ( ) “Coisa curiosa é gente velha. Como comem!” (Aníbal Machado)
16. ( ) “Sonhei que estava sonhando um sonho sonhado.”(Martinho da Vila)
17. ( ) “Rubião fez um gesto. Palha outro; mas quão diferentes.”( Machado de Assis)
18. ( ) “Estava certo de que nunca jamais ninguém saberia do meu crime.” (Aurélio Buarque de Holanda)
19. ( ) “Fulgem as velhas almas namoradas....
- Almas tristes, severas, resignadas,
De guerreiros, de santos, de poetas. “
(Camilo Pessanha)
20. ( ) “Muita gente anda no mundo sem saber pra quê: vivem porque vêem os outros viverem.”
(J. Simões Lopes Neto)
01. (VUNESP) No trecho: "...dão um jeito de mudar o mínimo para continuar mandando o máximo", a figura de linguagem presente é chamada:
a) metáfora
b) hipérbole
c) hipérbato
d) anáfora
e) antítese
02. (PUC - SP) Nos trechos: "O pavão é um arco-íris de plumas" e "...de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira..." enquanto procedimento estilístico, temos, respectivamente:
a) metáfora e polissíndeto;
b) comparação e repetição;
c) metonímia e aliteração;
d) hipérbole e metáfora;
e) anáfora e metáfora.
03. (PUC - SP) Nos trechos: "...nem um dos autores nacionais ou nacionalizados de oitenta pra lá faltava nas estantes do major" e "...o essencial é achar-se as palavras que o violão pede e deseja" encontramos, respectivamente, as seguintes figuras de linguagem:
a) prosopopéia e hipérbole;
b) hipérbole e metonímia;
c) perífrase e hipérbole;
d) metonímia e eufemismo;
e) metonímia e prosopopéia.
04. (VUNESP) Na frase: "O pessoal estão exagerando, me disse ontem um camelô", encontramos a
figura de linguagem chamada:
a) silepse de pessoa
b) elipse
c) anacoluto
d) hipérbole
e) silepse de número
05. (ITA) Em qual das opções há erro de identificação das figuras?
a) "Um dia hei de ir embora / Adormecer no derradeiro sono." (eufemismo)
b) "A neblina, roçando o chão, cicia, em prece. (prosopopéia)
c) Já não são tão freqüentes os passeios noturnos na violenta Rio de Janeiro. (silepse de número)
d) "E fria, fluente, frouxa claridade / Flutua..." (aliteração)
e) "Oh sonora audição colorida do aroma." (sinestesia)
06. (UM - SP) Indique a alternativa em que haja uma concordância realizada por silepse:
a) Os irmãos de Teresa, os pais de Júlio e nós, habitantes desta pacata região, precisaremos de muita força para sobreviver.
b) Poderão existir inúmeros problemas conosco devido às opiniões dadas neste relatório.
c) Os adultos somos bem mais prudentes que os jovens no combate às dificuldades.
d) Dar-lhe-emos novas oportunidades de trabalho para que você obtenha resultados mais satisfatórios.
e) Haveremos de conseguir os medicamentos necessários para a cura desse vírus insubordinável a qualquer tratamento.
07. (FEI) Assinalar a alternativa correta, correspondente à figuras de linguagem, presentes nos fragmentos abaixo:
I. "Não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste."
II. "A moral legisla para o homem; o direito para o cidadão."
III. "A maioria concordava nos pontos essenciais; nos pormenores porém, discordavam."
IV. "Isaac a vinte passos, divisando o vulto de um, pára, ergues a mão em viseira, firma os olhos."
a) anacoluto, hipérbato, hipálage, pleonasmo;
b) hipérbato, zeugma, silepse, assíndeto;
c) anáfora, polissíndeto, elipse, hipérbato;
d) pleonasmo, anacoluto, catacrese, eufemismo;
e) hipálage, silepse, polissíndeto, zeugma.
08. (FEBA - SP) Assinale a alternativa em que ocorre aliteração:
a) "Água de fonte .......... água de oceano ............. água de pranto. (Manuel Bandeira)
b) "A gente almoça e se coça e se roça e só se vicia." (Chico Buarque)
c) "Ouço o tique-taque do relógio: apresso-me então." (Clarice Lispector)
d) "Minha vida é uma colcha de retalhos, todos da mesma cor." (Mário Quintana)
e) N.d.a.
09. (CESGRANRIO) Na frase "O fio da idéia cresceu, engrossou e partiu-se" ocorre processo de gradação. Não há gradação em:
a) O carro arrancou, ganhou velocidade e capotou.
b) O avião decolou, ganhou altura e caiu.
c) O balão inflou, começou a subir e apagou.
d) A inspiração surgiu, tomou conta de sua mente e frustrou-se.
e) João pegou de um livro, ouviu um disco e saiu.
10. (FATEC) "Seus óculos eram imperiosos." Assinale a alternativa em que aparece a mesma figura de linguagem que há na frase acima:
a) "As cidades vinham surgindo na ponte dos nomes."
b) "Nasci na sala do 3° ano."
c) "O bonde passa cheio de pernas."
d) "O meu amor, paralisado, pula."
e) "Não serei o poeta de um mundo caduco."
II.
Exercício 1: No enunciado: “Virgílio, traga-me uma coca cola bem gelada!”, registra-se uma figura de linguagem denominada:
A) anáfora
B) personificação
C) antítese
D) catacrese
E) metonímia
Exercício 2: (FMU) Quando você afirma que enterrou “no dedo um alfinete”, que embarcou “no trem” e que serrou “os pés da mesa”, recorre a um tipo de figura de linguagem denominada:
A) metonímia
B) antítese
C) paródia
D) alegoria
E) catacrese
Exercício 3: (U. Taubaté) No sintagma: “Uma palavra branca e fria”, encontramos a figura denominada:
A) sinestesia
B) eufemismo
C) onomatopéia
D) antonomásia
E) catacrese
Exercício 4: (FAU-Santos) Nos versos: “Bomba atômica que aterra
Pomba atônita da paz
Pomba tonta, bomba atômica…”
A repetição de determinados elemento fônicos é um recurso estilístico denominado:
A) hiperbibasmo
B) sinédoque
C) metonímia
D) aliteração
E) metáfora
Exercício 5: (Maringá) Leia os versos e depois assinale a alternativa correta:
“Amo do nauta o doloroso grito
Em frágil prancha sobre o mar de horrores,
Porque meu seio se tornou pedra,
Porque minh’alma descorou de dores.” (Fagundes Varela)
No primeiro verso, há uma figura que se traduz por:
A) pleonasmo
B) hipérbato
C) gradação
D) anacoluto
E) anáfora
Exercício 6: (Cesesp – PE) Leia atentamente os períodos:
1.Vários de nós ficamos surpresos.
2.Essa gente está furiosa e com medo; por consequência, capazes de tudo.
3.Tua mãe, não há idade nem desgraça que lhe transforme o sorriso.
4.Entre elas, alguém estava envergonhada.
Os períodos aça contêm, respectiva e sucessivamente, as seguintes figuras de sintaxe:
A) Silepse de pessoa, silepse de gênero, anacoluto, silepse de número.
B) Anacoluto, anacoluto, anacoluto, silepse de número.
C) Silepse de número, silepse de pessoa, anacoluto, anacoluto.
D) Silepse de pessoa, silepse de número, anacoluto, silepse de gênero.
E) Silepse de pessoa, anacoluto, silepse de gênero, anacoluto.
Exercício 7: (Inatel) Reconheça e classifique as figuras de palavras, de construção e de pensamento:
( ) “Quando uma lousa cai sobre um cadáver mudo”.
( ) “Terrível hemorragia de sangue”.
( ) “Das idades através”.
( ) “Oxalá tenham razão”.
( ) “Trejeita, e canta, e ri nervosamente”.
•(1) Polissíndeto
•(2) Hipérbato
•(3) Epíteto
•(4) Pleonasmo
•(5) Elipse
A sequência que corresponde à resposta correta é:
A) 4,3,5,2,1
B) 3,4,2,1,5
C) 3,4,2,5,1
D) 3,4,5,2,1
E) 1,3,2,5,4
Exercício 8: (Cescea) Identifique os recursos estilísticos empregados no texto:
“Nem tudo tinham os antigos, nem tudo temos, os modernos”. (Machado de Assis)
A) anáfora – antítese – silepse
B) metáfora – antítese – elipse
C) anástrofe – antítese – zeugma
D) pleonasmo – antítese – silepse
E) anástrofe – comparação – parábola
Exercício 9: (Mack) Nos versos abaixo, uma figura se ergue graças co conflito de duas visões antagônicas:
“Saio do hotel com quatro olhos,
- Dois do presente,
- Dois do passado.”
Esta figura de linguagem recebe o nome de:
A) metonímia
B) catacrese
C) hipérbole
D) antítese
E) hipérbato
Exercício 10: (FUVEST) Identifique a figura de linguagem empregada nos versos destacados:
“No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos!”
A) antítese
B) anacoluto
C) hipérbole
D) litotes
E) paragoge
Exercício 11: (FUVEST) A figura de linguagem empregada nos versos em destaque é:
“Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável)
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!”
A) clímax
B) eufemismo
C) sínquise
D) catacrese
E) pleonasmo
Exercício 12: Em cada um dos períodos abaixo ocorre uma silepse. Marque a alternativa que classifica corretamente cada uma delas.
1.“Está uma pessoa ouvindo missa, meia-hora o cansa e atormenta e faz romper em murmurações”.
2.“E todos assim nos distraímos nesses preparativos”. (Aníbal Machado)
3.“A multidão vai subindo, subiram, subiram mais”. (Murilo Mendes)
A) silepse de gênero, silepse de número, silepse de número.
B) silepse de pessoa, silepse de número, silepse de pessoa.
C) silepse de gênero, silepse de pessoa, silepse de pessoa.
D) silepse de gênero, silepse de pessoa, silepse de número.
E) silepse de número, silepse de pessoa, silepse de gênero.
Nos exercícios de número 1 a 20, faça a associação de acordo com o seguinte código:
a) elipse g) anacoluto
b) zeugma h) silepse de gênero
c) pleonasmo i) silepse de número
d) polissíndeto j) silepse de pessoa
e) assíndeto l) anáfora
f) hipérbato m) anástrofe
1. ( ) “Dizem que os cariocas somos pouco dados aos jardins públicos.”(Machado de Assis)
2. ( ) “Aquela mina de ouro, ele não ia deixar que outras espertas botassem as mãos.” (José Lins do Rego)
3) ( ) “Este prefácio, apesar de interessante, inútil.” (Mário Andrade)
4. ( ) “Era véspera de Natal, as horas passavam, ele devia de querer estar ao lado de lá-Dijina, em sua casa deles dois, da outra banda, na Lapa-Laje.” (Guimarães Rosa)
5. ( ) “Em volta: leões deitados, pombas voando, ramalhetes de flores com laços de fitas, o Zé-Povinho de chapéu erguido.”
(Aníbal Machado)
6. ( ) “Sob os tetos abatidos e entre os esteios fumegantes, deslizavam melhor, a salvo, ou tinham mais invioláveis esconderijos, os sertanejos emboscados. “ (Euclides da Cunha)
7. ( ) V. Exa. está cansado?
8. ( ) “Caça, ninguém não pegava... (Mário de Andrade)
9. ( ) “Mas, me escute, a gente vamos chegar lá.”(Guimarães Rosa)
10. ( ) “Grande parte, porém, dos membros daquela assembléia estavam longe destas idéias.”(Alexandre Herculano)
11. ( ) “E brinquei, e dancei e fui
Vestido de rei....”(Chico Buarque)
12. ( ) “Wilfredo foge. O horror vai com ele, inclemente. Foge, corre, e vacila, e tropeça e resvala, E levanta-se, e foge alucinadamente....”(Olavo Bilac)
13. ( ) “Agachou-se, atiçou o fogo, apanhou uma brasa com a colher, acendeu o cachimbo, pôs-se a chupar o canudo do taquari cheio de sarro.” (Graciliano Ramos)
14. ( ) “Tão bom se ela estivesse viva me ver assim.”
(Antônio Olavo Pereira)
15. ( ) “Coisa curiosa é gente velha. Como comem!” (Aníbal Machado)
16. ( ) “Sonhei que estava sonhando um sonho sonhado.”(Martinho da Vila)
17. ( ) “Rubião fez um gesto. Palha outro; mas quão diferentes.”( Machado de Assis)
18. ( ) “Estava certo de que nunca jamais ninguém saberia do meu crime.” (Aurélio Buarque de Holanda)
19. ( ) “Fulgem as velhas almas namoradas....
- Almas tristes, severas, resignadas,
De guerreiros, de santos, de poetas. “
(Camilo Pessanha)
20. ( ) “Muita gente anda no mundo sem saber pra quê: vivem porque vêem os outros viverem.”
(J. Simões Lopes Neto)
Figuras de linguagem - teoria
Figuras de estilo ou de linguagem
As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva. É um recurso lingüístico para expressar experiências comuns de formas diferentes, conferindo originalidade, emotividade ou poeticidade ao discurso.
As figuras revelam muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindo particularidades estilísticas do autor. A palavra empregada em sentido figurado, não- denotativo, passa a pertencer a outro campo de significação, mais amplo e criativo.
As figuras de linguagem classificam-se em:
a) figuras de palavra;
b) figuras de harmonia;
c) figuras de pensamento;
d) figuras de construção ou sintaxe.
FIGURAS DE PALAVRA
As figuras de palavra são figuras de linguagem que consistem no emprego de um termo com sentido diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um efeito mais expressivo na comunicação.
Comparação: Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois elementos que se identificam, ligados por conectivos comparativos explícitos - feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem - e alguns verbos - parecer, assemelhar-se e outros.
Exemplos: "Amou daquela vez como se fosse máquina.
Beijou sua mulher como se fosse lógico."
Metáfora: Ocorre metáfora quando um termo substitui outro através de uma relação de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria. A metáfora também pode ser entendida como uma comparação abreviada, em que o conectivo não está expresso, mas subentendido.
Exemplo: "Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrairpérolas, que é a razão."
Metonímia: Ocorre metonímia quando há substituição de uma palavra por outra, havendo entre ambas algum grau de semelhança, relação, proximidade de sentido ou implicação mútua. Tal substituição fundamenta-se numa relação objetiva, real, realizando-se de inúmeros modos:
a causa pelo efeito e vice-versa:
"E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento."
Com trabalho.
o lugar de origem ou de produção pelo produto:
Comprei uma garrafa do legítimo porto.
O vinho da cidade do Porto.
o autor pela obra:
Ela parecia ler Jorge Amado.
A obra de Jorge Amado.
o abstrato pelo concreto e vice-versa:
Não devemos contar com o seu coração.
Sentimento, sensibilidade.
Sinédoque: Ocorre sinédoque quando há substituição de um termo por outro, havendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa relação quantitativa. Encontramos sinédoque nos seguintes casos:
o todo pela parte e vice-versa:
"A cidade inteira viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos de seu cavalo."
o singular pelo plural e vice-versa:
O paulista é tímido; o carioca , atrevido.
o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum):
Para os artistas ele foi um mecenas.
Modernamente, a metonímia engloba a sinédoque.
Catacrese: A catacrese é um tipo de especial de metáfora, "é uma espécie de metáfora desgastada, em que já não se sente nenhum vestígio de inovação, de criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito lingüístico, já fora do âmbito estilístico." (Othon M. Garcia)
Exemplos: folhas de livro, pele de tomate, dente de alho, montar em burro, céu da boca, cabeça de prego,mão de direção, ventre da terra, asa da xícara, sacar dinheiro no banco.
Sinestesia: A sinestesia consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma expressão. Essas sensações podem ser físicas (gustação, audição, visão, olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas).
Exemplo: "A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia[sensações táteis], quase irreal." (Augusto Meyer)
Antonomásia: Ocorre antonomásia quando designamos uma pessoa por uma qualidade, característica ou fato que a distingue.
Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo que apelido, alcunha ou cognome, cuja origem é um aposto (descritivo, especificativo etc.) do nome próprio.
Exemplos:
"E ao rabi simples1, que a igualdade prega,
Rasga e enlameia a túnica inconsútil;
1 Cristo
Pelé (= Edson Arantes do Nascimento)
O poeta dos escravos (= Castro Alves)
O Dante Negro (= Cruz e Souza)
O Corso (= Napoleão)
Alegoria: A alegoria é uma acumulação de metáforas referindo-se ao mesmo objeto; é uma figura poética que consiste em expressar uma situação global por meio de outra que a evoque e intensifique o seu significado. Na alegoria, todas as palavras estão transladadas para um plano que não lhes é comum e oferecem dois sentidos completos e perfeitos - um referencial e outro metafórico.
Exemplo: "A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados, e a orquestra é excelente... (Machado de Assis)
FIGURAS DE HARMONIA
Chamam-se figuras de som ou de harmonia os efeitos produzidos na linguagem quando há repetição de sons ou, ainda, quando se procura "imitar"sons produzidos por coisas ou seres.
Aliteração: Ocorre aliteração quando há repetição da mesma consoante ou de consoantes similares, geralmente em posição inicial da palavra.
Exemplo: "Toda gente homenageia Januária na janela."
Assonância: Ocorre assonância quando há repetição da mesma vogal ao longo de um verso ou poema.
Exemplo: "Sou Ana, da cama
da cana, fulana, bacana
Sou Ana de Amsterdam."
Paronomásia: Ocorre paronomásia quando há reprodução de sons semelhantes em palavras de significados diferentes.
Exemplo: "Berro pelo aterro pelo desterro
berro por seu berro pelo seu erro
quero que você ganhe que você me apanhe
sou o seu bezerro gritando mamãe."
Onomatopéia: Ocorre quando uma palavra ou conjunto de palavras imita um ruído ou som.
Exemplo: "O silêncio fresco despenca das árvores.
Veio de longe, das planícies altas,
Dos cerrados onde o guaxe passe rápido...
Vvvvvvvv... passou."
FIGURAS DE PENSAMENTO
As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico.
Antítese: Ocorre antítese quando há aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos.
Exemplo: "Amigos ou inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nosbem. Outros nos almejam o bem, e nos trazem o mal." (Rui Barbosa)
Apóstrofe: Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma pessoa ou algo, real ou imaginário, que pode estar presente ou ausente. Corresponde ao vocativo na análise sintática e é utilizada para dar ênfase à expressão.
Exemplo: "Deus! ó Deus! onde estás, que não respondes?" (Castro Alves)
Paradoxo: Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de palavras de sentido oposto, mas também na de idéias que se contradizem referindo-se ao mesmo termo. É uma verdade enunciada com aparência de mentira. Oxímoro (ou oximoron) é outra designação para paradoxo.
Exemplo: "Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;" (Camões)
Eufemismo: Ocorre eufemismo quando uma palavra ou expressão é empregada para atenuar uma verdade tida como penosa, desagradável ou chocante.
Exemplo: "E pela paz derradeira1 que enfim vai nos redimir Deus lhe pague" (Chico Buarque)
paz derradeira: morte
Gradação: Ocorre gradação quando há uma seqüência de palavras que intensificam uma mesma idéia.
Exemplo: "Aqui... além... mais longe por onde eu movo o passo." (Castro Alves)
Hipérbole: Ocorre hipérbole quando há exagero de uma idéia, a fim de proporcionar uma imagem emocionante e de impacto.
Exemplo: "Rios te correrão dos olhos, se chorares!" (Olavo Bilac)
Ironia: Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação, pela contradição de termos, sugere-se o contrário do que as palavras ou orações parecem exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica.
Exemplo: "Moça linda, bem tratada,
três séculos de família,
burra como uma porta:
um amor." (Mário de Andrade)
Prosopopéia: Ocorre prosopopéia (ou animização ou personificação) quando se atribui movimento, ação, fala, sentimento, enfim, caracteres próprios de seres animados a seres inanimados ou imaginários.
Também a atribuição de características humanas a seres animados constitui prosopopéia o que é comum nas fábulas e nos apólogos, como este exemplo de Mário de Quintana: "O peixinho (...) silencioso e levemente melancólico..."
Exemplos: "... os rios vão carregando as queixas do caminho." (Raul Bopp)
" Um frio inteligente (...) percorria o jardim..." (Clarice Lispector)
Perífrase: Ocorre perífrase quando se cria um torneio de palavras para expressar algum objeto, acidente geográfico ou situação que não se quer nomear.
Exemplo: "Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil." (André Filho)
FIGURAS DE SINTAXE
As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem, possíveis repetições ou omissões.
Assíndeto: Ocorre assíndeto quando orações ou palavras deveriam vir ligadas por conjunções coordenativas, aparecem justapostas ou separadas por vírgulas.
Exigem do leitor atenção maior no exame de cada fato, por exigência das pausas rítmicas (vírgulas).
Exemplo: "Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se." (Machado de Assis)
Elipse: Ocorre elipse quando omitimos um termo ou oração que facilmente podemos identificar ou subentender no contexto. Pode ocorrer na supressão de pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É um poderoso recurso de concisão e dinamismo.
Exemplo: "Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas."
1 Elipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de sandálias...)
Zeugma: Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase é suprimido, ficando subentendida sua repetição.
Exemplo: "Foi saqueada a vida, e assassinados os partidários dos Felipes." 1
1 Zeugma do verbo: "e foram assassinados..."
Anáfora: Ocorre anáfora quando há repetição intencional de palavras no início de um período, frase ou verso.
Exemplo: "Depois o areal extenso...
Depois o oceano de pó...
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só..." (Castro Alves)
Pleonasmo: Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma idéia, isto é, redundância de significado.
a) Pleonasmo literário: É o uso de palavras redundantes para reforçar uma idéia, tanto do ponto de vista semântico quanto do ponto de vista sintático. Usado como um recurso estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase à mensagem.
Exemplo: "Iam vinte anos desde aquele dia
Quando com os olhos eu quis ver de perto
Quando em visão com os da saudade via." (Alberto de Oliveira)
"Ó mar salgado, quando do teu sal
São lágrimas de Portugal" (Fernando Pessoa)
b) Pleonasmo vicioso: É o desdobramento de idéias que já estavam implícitas em palavras anteriormente expressas. Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois não têm valor de reforço de uma idéia, sendo apenas fruto do descobrimento do sentido real das palavras.
Exemplos: subir para cima, entrar para dentro, repetir de novo, ouvir com os ouvidos, hemorragia de sangue, monopólio exclusivo, breve alocução, principal protagonista
Polissíndeto: Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática de uma conjunção coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical ( geralmente a conjunção e). É um recurso que sugere movimentos ininterruptos ou vertiginosos.
Exemplo: "Vão chegando as burguesinhas pobres,
e as criadas das burguesinhas ricas
e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza." (Manuel Bandeira)
Anástrofe: Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão de palavras vizinhas (determinante / determinado).
Exemplo: "Tão leve estou 1 que nem sombra tenho." (Mário Quintana)
1 Estou tão leve...
Hipérbato: Ocorre hipérbato quando há uma inversão completa de membros da frase.
Exemplo: "Passeiam à tarde, as belas na Avenida. " 1 (Carlos Drummond de Andrade)
1 As belas passeiam na Avenida à tarde.
Sínquise: Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta de distantes partes da frase. É um hipérbato exagerado.
Exemplo: "A grita se alevanta ao Céu, da gente. " 1 (Camões)
1 A grita da gente se alevanta ao Céu.
Hipálage: Ocorre hipálage quando há inversão da posição do adjetivo: uma qualidade que pertence a uma objeto é atribuída a outro, na mesma frase.
Exemplo: "... as lojas loquazes dos barbeiros." 2 (Eça de Queiros)
2 ... as lojas dos barbeiros loquazes.
Anacoluto: Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano sintático com que se inicia a frase, alterando-lhe a seqüência lógica. A construção do período deixa um ou mais termos - que não apresentam função sintática definida - desprendidos dos demais, geralmente depois de uma pausa sensível.
Exemplo: "Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas." (Alcântara Machado)
Silepse: Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras, mas com a idéia a elas associada.
a) Silepse de gênero: Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais (feminino ou masculino).
Exemplo: "Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito." (Guimarães Rosa)
b) Silepse de número: Ocorre quando há discordância envolvendo o número gramatical (singular ou plural).
Exemplo: Corria gente de todos lados, e gritavam." (Mário Barreto)
c) Silepse de pessoa: Ocorre quando há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa verbal: o sujeito que fala ou escreve se inclui no sujeito enunciado.
Exemplo: "Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas." (Machado de Assis)
Autoria: Norberto Gonçalves
As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva. É um recurso lingüístico para expressar experiências comuns de formas diferentes, conferindo originalidade, emotividade ou poeticidade ao discurso.
As figuras revelam muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindo particularidades estilísticas do autor. A palavra empregada em sentido figurado, não- denotativo, passa a pertencer a outro campo de significação, mais amplo e criativo.
As figuras de linguagem classificam-se em:
a) figuras de palavra;
b) figuras de harmonia;
c) figuras de pensamento;
d) figuras de construção ou sintaxe.
FIGURAS DE PALAVRA
As figuras de palavra são figuras de linguagem que consistem no emprego de um termo com sentido diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um efeito mais expressivo na comunicação.
Comparação: Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois elementos que se identificam, ligados por conectivos comparativos explícitos - feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem - e alguns verbos - parecer, assemelhar-se e outros.
Exemplos: "Amou daquela vez como se fosse máquina.
Beijou sua mulher como se fosse lógico."
Metáfora: Ocorre metáfora quando um termo substitui outro através de uma relação de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria. A metáfora também pode ser entendida como uma comparação abreviada, em que o conectivo não está expresso, mas subentendido.
Exemplo: "Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrairpérolas, que é a razão."
Metonímia: Ocorre metonímia quando há substituição de uma palavra por outra, havendo entre ambas algum grau de semelhança, relação, proximidade de sentido ou implicação mútua. Tal substituição fundamenta-se numa relação objetiva, real, realizando-se de inúmeros modos:
a causa pelo efeito e vice-versa:
"E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento."
Com trabalho.
o lugar de origem ou de produção pelo produto:
Comprei uma garrafa do legítimo porto.
O vinho da cidade do Porto.
o autor pela obra:
Ela parecia ler Jorge Amado.
A obra de Jorge Amado.
o abstrato pelo concreto e vice-versa:
Não devemos contar com o seu coração.
Sentimento, sensibilidade.
Sinédoque: Ocorre sinédoque quando há substituição de um termo por outro, havendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa relação quantitativa. Encontramos sinédoque nos seguintes casos:
o todo pela parte e vice-versa:
"A cidade inteira viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos de seu cavalo."
o singular pelo plural e vice-versa:
O paulista é tímido; o carioca , atrevido.
o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum):
Para os artistas ele foi um mecenas.
Modernamente, a metonímia engloba a sinédoque.
Catacrese: A catacrese é um tipo de especial de metáfora, "é uma espécie de metáfora desgastada, em que já não se sente nenhum vestígio de inovação, de criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito lingüístico, já fora do âmbito estilístico." (Othon M. Garcia)
Exemplos: folhas de livro, pele de tomate, dente de alho, montar em burro, céu da boca, cabeça de prego,mão de direção, ventre da terra, asa da xícara, sacar dinheiro no banco.
Sinestesia: A sinestesia consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma expressão. Essas sensações podem ser físicas (gustação, audição, visão, olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas).
Exemplo: "A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia[sensações táteis], quase irreal." (Augusto Meyer)
Antonomásia: Ocorre antonomásia quando designamos uma pessoa por uma qualidade, característica ou fato que a distingue.
Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo que apelido, alcunha ou cognome, cuja origem é um aposto (descritivo, especificativo etc.) do nome próprio.
Exemplos:
"E ao rabi simples1, que a igualdade prega,
Rasga e enlameia a túnica inconsútil;
1 Cristo
Pelé (= Edson Arantes do Nascimento)
O poeta dos escravos (= Castro Alves)
O Dante Negro (= Cruz e Souza)
O Corso (= Napoleão)
Alegoria: A alegoria é uma acumulação de metáforas referindo-se ao mesmo objeto; é uma figura poética que consiste em expressar uma situação global por meio de outra que a evoque e intensifique o seu significado. Na alegoria, todas as palavras estão transladadas para um plano que não lhes é comum e oferecem dois sentidos completos e perfeitos - um referencial e outro metafórico.
Exemplo: "A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados, e a orquestra é excelente... (Machado de Assis)
FIGURAS DE HARMONIA
Chamam-se figuras de som ou de harmonia os efeitos produzidos na linguagem quando há repetição de sons ou, ainda, quando se procura "imitar"sons produzidos por coisas ou seres.
Aliteração: Ocorre aliteração quando há repetição da mesma consoante ou de consoantes similares, geralmente em posição inicial da palavra.
Exemplo: "Toda gente homenageia Januária na janela."
Assonância: Ocorre assonância quando há repetição da mesma vogal ao longo de um verso ou poema.
Exemplo: "Sou Ana, da cama
da cana, fulana, bacana
Sou Ana de Amsterdam."
Paronomásia: Ocorre paronomásia quando há reprodução de sons semelhantes em palavras de significados diferentes.
Exemplo: "Berro pelo aterro pelo desterro
berro por seu berro pelo seu erro
quero que você ganhe que você me apanhe
sou o seu bezerro gritando mamãe."
Onomatopéia: Ocorre quando uma palavra ou conjunto de palavras imita um ruído ou som.
Exemplo: "O silêncio fresco despenca das árvores.
Veio de longe, das planícies altas,
Dos cerrados onde o guaxe passe rápido...
Vvvvvvvv... passou."
FIGURAS DE PENSAMENTO
As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico.
Antítese: Ocorre antítese quando há aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos.
Exemplo: "Amigos ou inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nosbem. Outros nos almejam o bem, e nos trazem o mal." (Rui Barbosa)
Apóstrofe: Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma pessoa ou algo, real ou imaginário, que pode estar presente ou ausente. Corresponde ao vocativo na análise sintática e é utilizada para dar ênfase à expressão.
Exemplo: "Deus! ó Deus! onde estás, que não respondes?" (Castro Alves)
Paradoxo: Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de palavras de sentido oposto, mas também na de idéias que se contradizem referindo-se ao mesmo termo. É uma verdade enunciada com aparência de mentira. Oxímoro (ou oximoron) é outra designação para paradoxo.
Exemplo: "Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;" (Camões)
Eufemismo: Ocorre eufemismo quando uma palavra ou expressão é empregada para atenuar uma verdade tida como penosa, desagradável ou chocante.
Exemplo: "E pela paz derradeira1 que enfim vai nos redimir Deus lhe pague" (Chico Buarque)
paz derradeira: morte
Gradação: Ocorre gradação quando há uma seqüência de palavras que intensificam uma mesma idéia.
Exemplo: "Aqui... além... mais longe por onde eu movo o passo." (Castro Alves)
Hipérbole: Ocorre hipérbole quando há exagero de uma idéia, a fim de proporcionar uma imagem emocionante e de impacto.
Exemplo: "Rios te correrão dos olhos, se chorares!" (Olavo Bilac)
Ironia: Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação, pela contradição de termos, sugere-se o contrário do que as palavras ou orações parecem exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica.
Exemplo: "Moça linda, bem tratada,
três séculos de família,
burra como uma porta:
um amor." (Mário de Andrade)
Prosopopéia: Ocorre prosopopéia (ou animização ou personificação) quando se atribui movimento, ação, fala, sentimento, enfim, caracteres próprios de seres animados a seres inanimados ou imaginários.
Também a atribuição de características humanas a seres animados constitui prosopopéia o que é comum nas fábulas e nos apólogos, como este exemplo de Mário de Quintana: "O peixinho (...) silencioso e levemente melancólico..."
Exemplos: "... os rios vão carregando as queixas do caminho." (Raul Bopp)
" Um frio inteligente (...) percorria o jardim..." (Clarice Lispector)
Perífrase: Ocorre perífrase quando se cria um torneio de palavras para expressar algum objeto, acidente geográfico ou situação que não se quer nomear.
Exemplo: "Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil." (André Filho)
FIGURAS DE SINTAXE
As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem, possíveis repetições ou omissões.
Assíndeto: Ocorre assíndeto quando orações ou palavras deveriam vir ligadas por conjunções coordenativas, aparecem justapostas ou separadas por vírgulas.
Exigem do leitor atenção maior no exame de cada fato, por exigência das pausas rítmicas (vírgulas).
Exemplo: "Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se." (Machado de Assis)
Elipse: Ocorre elipse quando omitimos um termo ou oração que facilmente podemos identificar ou subentender no contexto. Pode ocorrer na supressão de pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É um poderoso recurso de concisão e dinamismo.
Exemplo: "Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas."
1 Elipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de sandálias...)
Zeugma: Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase é suprimido, ficando subentendida sua repetição.
Exemplo: "Foi saqueada a vida, e assassinados os partidários dos Felipes." 1
1 Zeugma do verbo: "e foram assassinados..."
Anáfora: Ocorre anáfora quando há repetição intencional de palavras no início de um período, frase ou verso.
Exemplo: "Depois o areal extenso...
Depois o oceano de pó...
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só..." (Castro Alves)
Pleonasmo: Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma idéia, isto é, redundância de significado.
a) Pleonasmo literário: É o uso de palavras redundantes para reforçar uma idéia, tanto do ponto de vista semântico quanto do ponto de vista sintático. Usado como um recurso estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase à mensagem.
Exemplo: "Iam vinte anos desde aquele dia
Quando com os olhos eu quis ver de perto
Quando em visão com os da saudade via." (Alberto de Oliveira)
"Ó mar salgado, quando do teu sal
São lágrimas de Portugal" (Fernando Pessoa)
b) Pleonasmo vicioso: É o desdobramento de idéias que já estavam implícitas em palavras anteriormente expressas. Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois não têm valor de reforço de uma idéia, sendo apenas fruto do descobrimento do sentido real das palavras.
Exemplos: subir para cima, entrar para dentro, repetir de novo, ouvir com os ouvidos, hemorragia de sangue, monopólio exclusivo, breve alocução, principal protagonista
Polissíndeto: Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática de uma conjunção coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical ( geralmente a conjunção e). É um recurso que sugere movimentos ininterruptos ou vertiginosos.
Exemplo: "Vão chegando as burguesinhas pobres,
e as criadas das burguesinhas ricas
e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza." (Manuel Bandeira)
Anástrofe: Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão de palavras vizinhas (determinante / determinado).
Exemplo: "Tão leve estou 1 que nem sombra tenho." (Mário Quintana)
1 Estou tão leve...
Hipérbato: Ocorre hipérbato quando há uma inversão completa de membros da frase.
Exemplo: "Passeiam à tarde, as belas na Avenida. " 1 (Carlos Drummond de Andrade)
1 As belas passeiam na Avenida à tarde.
Sínquise: Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta de distantes partes da frase. É um hipérbato exagerado.
Exemplo: "A grita se alevanta ao Céu, da gente. " 1 (Camões)
1 A grita da gente se alevanta ao Céu.
Hipálage: Ocorre hipálage quando há inversão da posição do adjetivo: uma qualidade que pertence a uma objeto é atribuída a outro, na mesma frase.
Exemplo: "... as lojas loquazes dos barbeiros." 2 (Eça de Queiros)
2 ... as lojas dos barbeiros loquazes.
Anacoluto: Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano sintático com que se inicia a frase, alterando-lhe a seqüência lógica. A construção do período deixa um ou mais termos - que não apresentam função sintática definida - desprendidos dos demais, geralmente depois de uma pausa sensível.
Exemplo: "Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas." (Alcântara Machado)
Silepse: Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras, mas com a idéia a elas associada.
a) Silepse de gênero: Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais (feminino ou masculino).
Exemplo: "Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito." (Guimarães Rosa)
b) Silepse de número: Ocorre quando há discordância envolvendo o número gramatical (singular ou plural).
Exemplo: Corria gente de todos lados, e gritavam." (Mário Barreto)
c) Silepse de pessoa: Ocorre quando há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa verbal: o sujeito que fala ou escreve se inclui no sujeito enunciado.
Exemplo: "Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas." (Machado de Assis)
Autoria: Norberto Gonçalves
Slides sobre características formais dos textos literários e exemplos diversos de figuras de linguagem
Características formais da linguagem dos textos literários:
texto em verso X texto em prosa
Poema ou poesia
Métrica – medida dos versos segundo o número de sílabas poéticas; a separação das sílabas poéticas se chama escansão.
Comparemos:
Divisão silábica gramatical
Mi-nha-des-gra-ça,-ó-cân-di-da-don-ze-la,
(12)
O-que-faz-que-o-meu-pei-to-as-sim-blas-fe-ma
(13)
Mi-nha-des-gra-ça, ó-cân-di-da-don-ze-la,
(10)
O-que-faz-que o-meu-pei-to as-sim-blas-fe-ma
(10)
Versos de métrica idêntica são chamados regulares, caso contrário, são chamados de livres.
Rima efeito baseado na semelhança sonora de palavras no final ou no interior do verso (externa ou interna):
Intercaladas (ABBA); Alternadas (ABAB); Emparelhadas (AABB)
Há de se considerar também o ritmo, que se constrói em virtude da posição de sílabas tônicas nos versos do poema.
Figuras de linguagem
As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva. É um recurso lingüístico para expressar experiências comuns de formas diferentes, conferindo originalidade, emotividade ou poeticidade ao discurso.
As figuras revelam muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindo particularidades estilísticas do autor. A palavra empregada em sentido figurado, não- denotativo, passa a pertencer a outro campo de significação, mais amplo e criativo.
As figuras de linguagem classificam-se em:
a) figuras de palavra;
b) figuras de harmonia;
c) figuras de pensamento;
d) figuras de construção ou sintaxe.
Figuras de palavra
a) comparação
b) metáfora
c) metonímia
d) catacrese
e) sinestesia
f) antonomásia
(A) Comparação
"Amou daquela vez como se fosse máquina.
Beijou sua mulher como se fosse lógico.”
Vida vem em ondas como o mar.
Meu coração está igual a um céu cinzento.
(B) Metáfora
"Meu pensamento é um rio subterrâneo." (Fernando Pessoa)
Seus olhos são luzes brilhantes.
Ele é um anjo.
Ela é uma flor.
(C) Metonímia
1 - Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis.
(= Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis.)
2 - Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo.
(= As lâmpadas iluminam o mundo.)
3 - Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da cruz.
(= Não te afastes da religião.)
4 - Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso havana.
(= Fumei um saboroso charuto.)
5 - Efeito pela causa: Sócrates bebeu a morte.
(= Sócrates tomou veneno.)
6 - Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu trabalho.
(= Moro no campo e como o alimento que produzo.)
7 - Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo.
(= Bebeu todo o líquido que estava no cálice.)
8 - Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones foram atrás dos jogadores.
(= Os repórtere sforam atrás dos jogadores.)
9 - Parte pelo todo: Várias pernas passavam apressadamente.
(= Várias pessoas passavam apressadamente.)
10 - Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem nesse mundo.
(= Os homens pensam e sofrem nesse mundo.)
11 - Singular pelo plural: A mulher foi chamada para ir às ruas na luta por seus direitos.
(= As mulheres foram chamadas, não apenas uma mulher.)
12 - Marca pelo produto: Minha filha adora danone.
(= Minha filha adora o iogurte que é da marca danone.)
13 - Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua.
(= Alguns astronautas foram à Lua.)
14 - Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá para teu lado.
(= A justiça ficará do teu lado.)
D) Catacrese
folhas de livro, pele de tomate, dente de alho, montar em burro, céu da boca, cabeça de prego,mão de direção, ventre da terra, asa da xícara, sacar dinheiro no banco.
(E) sinestesia
"A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia[sensações táteis], quase irreal." (Augusto Meyer)
Um grito áspero revelava tudo o que sentia. (grito = auditivo; áspero = tátil) No silêncio escuro do seu quarto, aguardava os acontecimentos. (silêncio = auditivo; negro = visual)
(F) Antonomásia
A Cidade Maravilhosa recebe muitos turistas durante o carnaval.
O Rei das Selvas está bravo.
A Dama do Suspense escreveu livros ótimos.
O Mestre do Suspense dirigiu grandes clássicos do cinema.
OBS: Quando referido a lugares ou animais, chama-se perífrase.
Figuras de som ou de harmonia
a) aliteração
b) assonância
c) paronomásia
d) onomatopéia
(A) Aliteração
“Auriverde pendão de minha terra
que a brisa do Brasil beija e balança” (C. Alves)
“O rato roeu a roupa do rei de Roma”
“Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva,
Marcada a frio, ferro e fogo em carne viva.
Quero ficar feito cruz nas tuas costas,
Que te retalha em postas,
Mas no fundo gostas quando a noite vem” (Chico)
Três pratos de trigo para três tigres tristes.
O rato roeu a roupa do rei de Roma.
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
“Esperando, parada, pregada na pedra do porto.”
"Toda gente homenageia Januária na janela."
(B) Assonância
“Sou um mulato nato no sentido lato” (C. Veloso)
"Sou Ana, da cama
da cana, fulana, bacana
Sou Ana de Amsterdam."
(C) Paronomásia
“Trocando em miúdos, podes guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós”
(D) Onomatopeia
Com o au-au dos cachorros, os gatos desapareceram.
Miau-miau. – Eram os gatos miando no telhado a noite toda.
Os sinos faziam blem, blem, blem, blem.
Tic-tac, tic-tac fazia o relógio da sala de jantar.
Cócórócócó, fez o galo às seis da manhã.
"O silêncio fresco despenca das árvores.
Veio de longe, das planícies altas,
Dos cerrados onde o guaxe passe rápido...
Vvvvvvvv... passou."
Figuras de pensamento
a) antítese
b) eufemismo
c) ironia
d) apóstrofe
e) gradação
f) prosopopéia
g) paradoxo
h) hipérbole
(a) antítese
"Amigos ou inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nosbem. Outros nos almejam o bem, e nos trazem o mal." (Rui Barbosa)
Ela se preocupa tanto com o passado que esquece o presente.
A guerra não leva a nada, devemos buscar a paz.
(b) eufemismo
E pela paz derradeira1 que enfim vai nos redimir Deus lhe pague"
Depois de muito sofrimento, entregou a alma ao Senhor. (= morreu)
O prefeito ficou rico por meios ilícitos. (= roubou)
Fernando faltou com a verdade. (= mentiu)
Aquele rapaz não é legal, ele subtraiu dinheiro.
Acho que não fui feliz nos exames.
(c) ironia
Que homem lindo! (quando se trata, na verdade, de um homem feio.)
Como você escreve bem, meu vizinho de 5 anos teria feito uma redação melhor!
Que bolsa barata, custou só mil reais!
Que alunos inteligentes, não sabem nem somar.
Se você gritar mais alto, eu agradeço.
“A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.”
Como você foi bem na última prova, não tirou nem a nota mínima! Parece um anjinho aquele menino, briga com todos que estão por perto.
"Moça linda, bem tratada,
três séculos de família,
burra como uma porta:
um amor." (Mário de Andrade)
(d) apóstrofe
Moça, que fazes aí parada?
"Pai Nosso, que estais no céu..."
"Liberdade, Liberdade,
Abre as asas sobre nós,
Das lutas, na tempestade,
Dá que ouçamos tua voz..." (Osório Duque Estrada)
(e) gradação
"Aqui... além... mais longe por onde eu movo o passo." (Castro Alves)
"Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu amor". (Olavo Bilac)
"O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se." (Padre Antônio Vieira)
“Um coração chagado de desejos
Latejando, batendo, restrugindo.”
(f) prosopopéia
O jardim olhava as crianças sem dizer nada.
O céu está mostrando sua face mais bela.
O cão mostrou grande sisudez.
A formiga disse para a cigarra: ” Cantou…agora dança!”
As pedras andam vagarosamente.
O livro é um mudo que fala, um surdo que ouve, um cego que guia.
A floresta gesticulava nervosamente diante da serra.
O vento fazia promessas suaves a quem o escutasse.
Chora, violão.
(g) paradoxo
Na reunião, o funcionário afirmou que o operário quanto mais trabalha mais tem dificuldades econômicas.
"Amor é fogo que arde sem se ver;
ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;" (Camões)
(h) hipérbole
Faria isso milhões de vezes se fosse preciso.
"Rios te correrão dos olhos, se chorares." (Olavo Bilac)
Muitas pessoas morriam de medo da perna cabeluda.
FIGURAS DE SINTAXE
(a) assíndeto
(b) anáfora
(c) inversão
(d) elipse
(e) zeugma
(f) anacoluto
(g) pleonasmo
(h) polissíndeto
(i) silepse
(a) assíndeto
"Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se." (Machado de Assis)
Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família.
"Vim, vi, venci." (Júlio César)
Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos para dançar.
(b) anáfora
“ Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer”
Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. (Fernando Pessoa)
"Se você gritasse
Se você gemesse,
Se você tocasse
a valsa vienense
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse...
Mas você não morre,
Você é duro José!"
(c) inversão
Tão leve estou que nem sombra tenho." (Mário Quintana)
"A grita se alevanta ao Céu, da gente. " 1 (Camões)
1 A grita da gente se alevanta ao Céu.
Ao ódio venceu o amor. (Na ordem direta seria: O amor venceu ao ódio.) Dos meus problemas cuido eu! (Na ordem direta seria: Eu cuido dos meus problemas.)
Correm pelo parque as crianças da rua.
Na escada subiu o pintor.
(d) elipse - (e) zeugma
“Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.”
Após a queda, nenhuma fratura.
Ele come carne, eu verduras.
Ele prefere cinema; eu, teatro.
A cada um o que é seu. (Deve-se dar a cada um o que é seu.)
Tenho duas filhas, um filho e amo todos da mesma maneira.
Nesse exemplo, as desinências verbais de tenho e amo permitem-nos a identificação do
sujeito em elipse "eu".
Regina estava atrasada. Preferiu ir direto para o trabalho. (Ela, Regina, preferiu ir direto para o trabalho, pois estava atrasada.)
Ele gosta de geografia; eu, de português.
Na casa dela só havia móveis antigos; na minha, só móveis modernos.
Ela gosta de natação; eu, de vôlei.
No céu há estrelas; na terra, você.
(f) anacoluto
A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa.
Ele, nada podia assustá-lo.
Dois gatinhos miando no muro, conversávamos sobre como é complicada a vida dos animais.
Novas espécies de tubarão no Japão, pensava em como é misteriosa a natureza.
Esses alunos da escola, não se pode duvidar deles.
O Alexandre, as coisas não lhe estão indo muito bem.
A velha hipocrisia, recordo-me dela com vergonha. (Camilo Castelo Branco)
(g) pleonasmo
“E rir meu riso e derramar meu pranto.”
Nós cantamos um canto glorioso.
“Vi com meus próprios olhos.”
Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas.
Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto
Nesse caso, há um pleonasmo do objeto indireto, e o pronome "lhes" exerce a função de objeto indireto pleonástico.
Viciosos:
subir para cima, entrar para dentro, repetir de novo, ouvir com os ouvidos, hemorragia de sangue, monopólio exclusivo, breve alocução, principal protagonista
(h) polissíndeto
"Vão chegando as burguesinhas pobres,
e as criadas das burguesinhas ricas
e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza."
(Manuel Bandeira)
"Falta-lhe o solo aos pés: recua e corre, vacila e grita,
luta e ensanguenta, e rola, e tomba, e se espedaça, e morre."
(Olavo Bilac)
"Deus criou o sol e a lua e as estrelas. E fez o homem e deu-lhe inteligência e fê-lo chefe da natureza.
“ E sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito (...)”
(i) silepse
• De gênero
Vossa Excelência está preocupado.
"Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito." (Guimarães Rosa)
• De número
Os Lusíadas glorificou nossa literatura.
Corria gente de todos lados, e gritavam." (Mário Barreto)
• De pessoa
“O que me parece inexplicável é que os brasileiros persistamos em comer essa coisinha verde e mole que se derrete na boca.”
"Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas." (Machado de Assis)
texto em verso X texto em prosa
Poema ou poesia
Métrica – medida dos versos segundo o número de sílabas poéticas; a separação das sílabas poéticas se chama escansão.
Comparemos:
Divisão silábica gramatical
Mi-nha-des-gra-ça,-ó-cân-di-da-don-ze-la,
(12)
O-que-faz-que-o-meu-pei-to-as-sim-blas-fe-ma
(13)
Mi-nha-des-gra-ça, ó-cân-di-da-don-ze-la,
(10)
O-que-faz-que o-meu-pei-to as-sim-blas-fe-ma
(10)
Versos de métrica idêntica são chamados regulares, caso contrário, são chamados de livres.
Rima efeito baseado na semelhança sonora de palavras no final ou no interior do verso (externa ou interna):
Intercaladas (ABBA); Alternadas (ABAB); Emparelhadas (AABB)
Há de se considerar também o ritmo, que se constrói em virtude da posição de sílabas tônicas nos versos do poema.
Figuras de linguagem
As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva. É um recurso lingüístico para expressar experiências comuns de formas diferentes, conferindo originalidade, emotividade ou poeticidade ao discurso.
As figuras revelam muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindo particularidades estilísticas do autor. A palavra empregada em sentido figurado, não- denotativo, passa a pertencer a outro campo de significação, mais amplo e criativo.
As figuras de linguagem classificam-se em:
a) figuras de palavra;
b) figuras de harmonia;
c) figuras de pensamento;
d) figuras de construção ou sintaxe.
Figuras de palavra
a) comparação
b) metáfora
c) metonímia
d) catacrese
e) sinestesia
f) antonomásia
(A) Comparação
"Amou daquela vez como se fosse máquina.
Beijou sua mulher como se fosse lógico.”
Vida vem em ondas como o mar.
Meu coração está igual a um céu cinzento.
(B) Metáfora
"Meu pensamento é um rio subterrâneo." (Fernando Pessoa)
Seus olhos são luzes brilhantes.
Ele é um anjo.
Ela é uma flor.
(C) Metonímia
1 - Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis.
(= Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis.)
2 - Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo.
(= As lâmpadas iluminam o mundo.)
3 - Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da cruz.
(= Não te afastes da religião.)
4 - Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso havana.
(= Fumei um saboroso charuto.)
5 - Efeito pela causa: Sócrates bebeu a morte.
(= Sócrates tomou veneno.)
6 - Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu trabalho.
(= Moro no campo e como o alimento que produzo.)
7 - Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo.
(= Bebeu todo o líquido que estava no cálice.)
8 - Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones foram atrás dos jogadores.
(= Os repórtere sforam atrás dos jogadores.)
9 - Parte pelo todo: Várias pernas passavam apressadamente.
(= Várias pessoas passavam apressadamente.)
10 - Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem nesse mundo.
(= Os homens pensam e sofrem nesse mundo.)
11 - Singular pelo plural: A mulher foi chamada para ir às ruas na luta por seus direitos.
(= As mulheres foram chamadas, não apenas uma mulher.)
12 - Marca pelo produto: Minha filha adora danone.
(= Minha filha adora o iogurte que é da marca danone.)
13 - Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua.
(= Alguns astronautas foram à Lua.)
14 - Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá para teu lado.
(= A justiça ficará do teu lado.)
D) Catacrese
folhas de livro, pele de tomate, dente de alho, montar em burro, céu da boca, cabeça de prego,mão de direção, ventre da terra, asa da xícara, sacar dinheiro no banco.
(E) sinestesia
"A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia[sensações táteis], quase irreal." (Augusto Meyer)
Um grito áspero revelava tudo o que sentia. (grito = auditivo; áspero = tátil) No silêncio escuro do seu quarto, aguardava os acontecimentos. (silêncio = auditivo; negro = visual)
(F) Antonomásia
A Cidade Maravilhosa recebe muitos turistas durante o carnaval.
O Rei das Selvas está bravo.
A Dama do Suspense escreveu livros ótimos.
O Mestre do Suspense dirigiu grandes clássicos do cinema.
OBS: Quando referido a lugares ou animais, chama-se perífrase.
Figuras de som ou de harmonia
a) aliteração
b) assonância
c) paronomásia
d) onomatopéia
(A) Aliteração
“Auriverde pendão de minha terra
que a brisa do Brasil beija e balança” (C. Alves)
“O rato roeu a roupa do rei de Roma”
“Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva,
Marcada a frio, ferro e fogo em carne viva.
Quero ficar feito cruz nas tuas costas,
Que te retalha em postas,
Mas no fundo gostas quando a noite vem” (Chico)
Três pratos de trigo para três tigres tristes.
O rato roeu a roupa do rei de Roma.
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
“Esperando, parada, pregada na pedra do porto.”
"Toda gente homenageia Januária na janela."
(B) Assonância
“Sou um mulato nato no sentido lato” (C. Veloso)
"Sou Ana, da cama
da cana, fulana, bacana
Sou Ana de Amsterdam."
(C) Paronomásia
“Trocando em miúdos, podes guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós”
(D) Onomatopeia
Com o au-au dos cachorros, os gatos desapareceram.
Miau-miau. – Eram os gatos miando no telhado a noite toda.
Os sinos faziam blem, blem, blem, blem.
Tic-tac, tic-tac fazia o relógio da sala de jantar.
Cócórócócó, fez o galo às seis da manhã.
"O silêncio fresco despenca das árvores.
Veio de longe, das planícies altas,
Dos cerrados onde o guaxe passe rápido...
Vvvvvvvv... passou."
Figuras de pensamento
a) antítese
b) eufemismo
c) ironia
d) apóstrofe
e) gradação
f) prosopopéia
g) paradoxo
h) hipérbole
(a) antítese
"Amigos ou inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nosbem. Outros nos almejam o bem, e nos trazem o mal." (Rui Barbosa)
Ela se preocupa tanto com o passado que esquece o presente.
A guerra não leva a nada, devemos buscar a paz.
(b) eufemismo
E pela paz derradeira1 que enfim vai nos redimir Deus lhe pague"
Depois de muito sofrimento, entregou a alma ao Senhor. (= morreu)
O prefeito ficou rico por meios ilícitos. (= roubou)
Fernando faltou com a verdade. (= mentiu)
Aquele rapaz não é legal, ele subtraiu dinheiro.
Acho que não fui feliz nos exames.
(c) ironia
Que homem lindo! (quando se trata, na verdade, de um homem feio.)
Como você escreve bem, meu vizinho de 5 anos teria feito uma redação melhor!
Que bolsa barata, custou só mil reais!
Que alunos inteligentes, não sabem nem somar.
Se você gritar mais alto, eu agradeço.
“A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.”
Como você foi bem na última prova, não tirou nem a nota mínima! Parece um anjinho aquele menino, briga com todos que estão por perto.
"Moça linda, bem tratada,
três séculos de família,
burra como uma porta:
um amor." (Mário de Andrade)
(d) apóstrofe
Moça, que fazes aí parada?
"Pai Nosso, que estais no céu..."
"Liberdade, Liberdade,
Abre as asas sobre nós,
Das lutas, na tempestade,
Dá que ouçamos tua voz..." (Osório Duque Estrada)
(e) gradação
"Aqui... além... mais longe por onde eu movo o passo." (Castro Alves)
"Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu amor". (Olavo Bilac)
"O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se." (Padre Antônio Vieira)
“Um coração chagado de desejos
Latejando, batendo, restrugindo.”
(f) prosopopéia
O jardim olhava as crianças sem dizer nada.
O céu está mostrando sua face mais bela.
O cão mostrou grande sisudez.
A formiga disse para a cigarra: ” Cantou…agora dança!”
As pedras andam vagarosamente.
O livro é um mudo que fala, um surdo que ouve, um cego que guia.
A floresta gesticulava nervosamente diante da serra.
O vento fazia promessas suaves a quem o escutasse.
Chora, violão.
(g) paradoxo
Na reunião, o funcionário afirmou que o operário quanto mais trabalha mais tem dificuldades econômicas.
"Amor é fogo que arde sem se ver;
ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;" (Camões)
(h) hipérbole
Faria isso milhões de vezes se fosse preciso.
"Rios te correrão dos olhos, se chorares." (Olavo Bilac)
Muitas pessoas morriam de medo da perna cabeluda.
FIGURAS DE SINTAXE
(a) assíndeto
(b) anáfora
(c) inversão
(d) elipse
(e) zeugma
(f) anacoluto
(g) pleonasmo
(h) polissíndeto
(i) silepse
(a) assíndeto
"Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se." (Machado de Assis)
Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família.
"Vim, vi, venci." (Júlio César)
Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos para dançar.
(b) anáfora
“ Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer”
Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. (Fernando Pessoa)
"Se você gritasse
Se você gemesse,
Se você tocasse
a valsa vienense
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse...
Mas você não morre,
Você é duro José!"
(c) inversão
Tão leve estou que nem sombra tenho." (Mário Quintana)
"A grita se alevanta ao Céu, da gente. " 1 (Camões)
1 A grita da gente se alevanta ao Céu.
Ao ódio venceu o amor. (Na ordem direta seria: O amor venceu ao ódio.) Dos meus problemas cuido eu! (Na ordem direta seria: Eu cuido dos meus problemas.)
Correm pelo parque as crianças da rua.
Na escada subiu o pintor.
(d) elipse - (e) zeugma
“Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.”
Após a queda, nenhuma fratura.
Ele come carne, eu verduras.
Ele prefere cinema; eu, teatro.
A cada um o que é seu. (Deve-se dar a cada um o que é seu.)
Tenho duas filhas, um filho e amo todos da mesma maneira.
Nesse exemplo, as desinências verbais de tenho e amo permitem-nos a identificação do
sujeito em elipse "eu".
Regina estava atrasada. Preferiu ir direto para o trabalho. (Ela, Regina, preferiu ir direto para o trabalho, pois estava atrasada.)
Ele gosta de geografia; eu, de português.
Na casa dela só havia móveis antigos; na minha, só móveis modernos.
Ela gosta de natação; eu, de vôlei.
No céu há estrelas; na terra, você.
(f) anacoluto
A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa.
Ele, nada podia assustá-lo.
Dois gatinhos miando no muro, conversávamos sobre como é complicada a vida dos animais.
Novas espécies de tubarão no Japão, pensava em como é misteriosa a natureza.
Esses alunos da escola, não se pode duvidar deles.
O Alexandre, as coisas não lhe estão indo muito bem.
A velha hipocrisia, recordo-me dela com vergonha. (Camilo Castelo Branco)
(g) pleonasmo
“E rir meu riso e derramar meu pranto.”
Nós cantamos um canto glorioso.
“Vi com meus próprios olhos.”
Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas.
Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto
Nesse caso, há um pleonasmo do objeto indireto, e o pronome "lhes" exerce a função de objeto indireto pleonástico.
Viciosos:
subir para cima, entrar para dentro, repetir de novo, ouvir com os ouvidos, hemorragia de sangue, monopólio exclusivo, breve alocução, principal protagonista
(h) polissíndeto
"Vão chegando as burguesinhas pobres,
e as criadas das burguesinhas ricas
e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza."
(Manuel Bandeira)
"Falta-lhe o solo aos pés: recua e corre, vacila e grita,
luta e ensanguenta, e rola, e tomba, e se espedaça, e morre."
(Olavo Bilac)
"Deus criou o sol e a lua e as estrelas. E fez o homem e deu-lhe inteligência e fê-lo chefe da natureza.
“ E sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito (...)”
(i) silepse
• De gênero
Vossa Excelência está preocupado.
"Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito." (Guimarães Rosa)
• De número
Os Lusíadas glorificou nossa literatura.
Corria gente de todos lados, e gritavam." (Mário Barreto)
• De pessoa
“O que me parece inexplicável é que os brasileiros persistamos em comer essa coisinha verde e mole que se derrete na boca.”
"Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas." (Machado de Assis)
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Um estudo em vermelho
Um estudo em vermelho
( Sir Arthur C. Doyle )
- Clássico de gênero policial
- Escrito 1887
- Primeiro romance do autor
- Holmes e Watson são personagens complementares
• O romance está dividido em duas partes: Na primeira é Watson quem narra; na segunda é um observador.
Parte I - Reimpressão das memórias do Dr. John H Watson, ex-oficial do departamento médico do exército britânico.
Capítulo 1. O sr. Sherlock Holmes - conta como Watson conheceu Holmes, aparesentado por um terceiro, em vista da necessidade de dividir as despesas de moradia. O capítulo traça um perfil psicológico e mesmo físico de Holmes.
Capítulo 2. A ciência da dedução - O capítulo em questão apresenta uma boa ilustração do método de Holmes. É apresentado um breve histórico do gênero policial, acima do qual o próprio Holmes é colocado.
Capítulo 3. O mistério de Lauriston Gardens - Dá-se início à investigação de um assassinato; Holmes e Watson comparecem à cena de crime, aonde o detetive dá mostras de toda a sua habilidade investigativa. O nome do defunto é Enoch. Depois de tomar notas, Holmes sai em busca do primeiro policial a chegar ao local. O capítulo mostra ainda a fina e mordaz ironia. com relação aos dois investigadores da Scothand Yard, Lestrade e Gregson.
Capítulo 4. O que John Lance tinha a dizer - O capítulo trata da audiência que Holmes teve com o primeiro guarda a chegar à cena de crime. Este conta sobre a presença de um homem bêbado ao qual não dera importância e que, segundo Holmes seria uma peça-chave do crime.
Capítulo 5. Nosso anúncio atrai um visitante - Holmes coloca anúncio em jornais a fim de atrair o tal referido no capítulo anterior. A fim de recuperar uma aliança que caíra do bolso do assassinado, o homem se traveste em uma senhora e consegue enganar Holmes e Watson.
Capítulo 6. Tobias Gregson mostra o que pode fazer – A investigação prossegue e um suspeito é detido por Gregson. Trata-se do filho da dona da pensão onde Enoch estivera hospedado. Conta-se que o tratamento descortês dado por esta
à irmã mais nova do rapaz supracitado teria sido motivo de um acerto de contas. De tudo toma conhecimento Holmes e Watson, em seu apartamento, através de Gregson. No exato momento do relato, Lestrade chega ao apartamento e revela mais um assassinato, agora do secretário Drebber, a quem Lestrade tomara como suspeito. O nome do dito cujo era Joseph Stangerson.
Capítulo 7. Uma luz na escuridão – O último capítulo desta primeira parte se encerra com a captura do assassino, o cocheiro Jefferson Hape. A primeira parte não traz maiores esclarecimentos.
Parte II – A terra dos santos
Capítulo 1. Na grande planície alcalina - O foco narrativo ????? da 1° para a 3° pessoa. O espaço é a região central dos EUA. Um homem e uma criança andam pela região já sem esperança alguma de sobreviver. Um fato, no entanto, traz novas perspectivas. Um enorme grupo de mórmons cruza o caminho dos dois e as resgatam, sob a condição de que se convertam. Um dos integrantes da imensa caravana é o Stangerson, secretário assassianado na primeira parte do romance.
Capítulo 2. A flor de Utah - Com o passar dos anos, John Ferrier, o homem resgatdo, se torna o homem mais próspero da comunidade dos mórmons. Sua filha, Lucy Ferrier, a menina do capítulo anterior, por sua vez, destaca-se entre todas as mulheres da sociedade como a de maior beleza. Certo dia, num,a cena clássica e clichê, a mocinha é salva de uma iminente morte por um rapaz, Jefferson Hope, por quem se paixona e por quem se compromete.
Capítulo 3. John Ferrier fala com o profeto – Surge um complicador para a união de Lucy e Jerfferson. Um dos quatro profetas, Young fez graves ameaças a John se este não entrrega a mão de sua filha a um dos filhos de Stangerson ou de Drebber, que aparece na comunidade pela 1° vez.
Capítulo 4. Fuga para a vida – O capítulo narra apenas a fuga de Ferrier e sua filha , ajudadas por Hope. Os pretendentes de Lucy , que morrem na 1° parte, são os filhos de Stangerson e Drebber.
Capítulo 5. Os anjos vingadores – O leitor fica sabendo assim porque Holpe assassinara os dois mórmons em Londres: Vingança. Nesse capítulo encerra-se a narrativa em 3° pessoa. Ao final, o narrdor remete o leitor ao diário do Dr. Watson e lhe presta reverência. Quem seria esse narrador onisciente?
Capítulo 6. Continuação das memórias do Dr. John Watson – Praticamente todo o capítulo constitui-se do depoimento de Hope, no qual dá detalhes da perseguição que implementa por 20 anos. Os assassinatos são descritos com algum detalhe. Interessanteperceber que Hope se considera, como os detetives que o prenderam não um assassino ou homicida, mas um instrumento da justiça.
Capítulo 7. Conclusão – No capítulo de conclusão os detalhes da investigação são revelados. Interessante notar como o formato narrativo se alinha do gênero policial. Cada peça comparando um tabuleiro de causas e consequências. O leitor experimenta a posição do prório detetive, ao transitar pelas partes (pistas?) que constituem o todo (crime ?)
( Sir Arthur C. Doyle )
- Clássico de gênero policial
- Escrito 1887
- Primeiro romance do autor
- Holmes e Watson são personagens complementares
• O romance está dividido em duas partes: Na primeira é Watson quem narra; na segunda é um observador.
Parte I - Reimpressão das memórias do Dr. John H Watson, ex-oficial do departamento médico do exército britânico.
Capítulo 1. O sr. Sherlock Holmes - conta como Watson conheceu Holmes, aparesentado por um terceiro, em vista da necessidade de dividir as despesas de moradia. O capítulo traça um perfil psicológico e mesmo físico de Holmes.
Capítulo 2. A ciência da dedução - O capítulo em questão apresenta uma boa ilustração do método de Holmes. É apresentado um breve histórico do gênero policial, acima do qual o próprio Holmes é colocado.
Capítulo 3. O mistério de Lauriston Gardens - Dá-se início à investigação de um assassinato; Holmes e Watson comparecem à cena de crime, aonde o detetive dá mostras de toda a sua habilidade investigativa. O nome do defunto é Enoch. Depois de tomar notas, Holmes sai em busca do primeiro policial a chegar ao local. O capítulo mostra ainda a fina e mordaz ironia. com relação aos dois investigadores da Scothand Yard, Lestrade e Gregson.
Capítulo 4. O que John Lance tinha a dizer - O capítulo trata da audiência que Holmes teve com o primeiro guarda a chegar à cena de crime. Este conta sobre a presença de um homem bêbado ao qual não dera importância e que, segundo Holmes seria uma peça-chave do crime.
Capítulo 5. Nosso anúncio atrai um visitante - Holmes coloca anúncio em jornais a fim de atrair o tal referido no capítulo anterior. A fim de recuperar uma aliança que caíra do bolso do assassinado, o homem se traveste em uma senhora e consegue enganar Holmes e Watson.
Capítulo 6. Tobias Gregson mostra o que pode fazer – A investigação prossegue e um suspeito é detido por Gregson. Trata-se do filho da dona da pensão onde Enoch estivera hospedado. Conta-se que o tratamento descortês dado por esta
à irmã mais nova do rapaz supracitado teria sido motivo de um acerto de contas. De tudo toma conhecimento Holmes e Watson, em seu apartamento, através de Gregson. No exato momento do relato, Lestrade chega ao apartamento e revela mais um assassinato, agora do secretário Drebber, a quem Lestrade tomara como suspeito. O nome do dito cujo era Joseph Stangerson.
Capítulo 7. Uma luz na escuridão – O último capítulo desta primeira parte se encerra com a captura do assassino, o cocheiro Jefferson Hape. A primeira parte não traz maiores esclarecimentos.
Parte II – A terra dos santos
Capítulo 1. Na grande planície alcalina - O foco narrativo ????? da 1° para a 3° pessoa. O espaço é a região central dos EUA. Um homem e uma criança andam pela região já sem esperança alguma de sobreviver. Um fato, no entanto, traz novas perspectivas. Um enorme grupo de mórmons cruza o caminho dos dois e as resgatam, sob a condição de que se convertam. Um dos integrantes da imensa caravana é o Stangerson, secretário assassianado na primeira parte do romance.
Capítulo 2. A flor de Utah - Com o passar dos anos, John Ferrier, o homem resgatdo, se torna o homem mais próspero da comunidade dos mórmons. Sua filha, Lucy Ferrier, a menina do capítulo anterior, por sua vez, destaca-se entre todas as mulheres da sociedade como a de maior beleza. Certo dia, num,a cena clássica e clichê, a mocinha é salva de uma iminente morte por um rapaz, Jefferson Hope, por quem se paixona e por quem se compromete.
Capítulo 3. John Ferrier fala com o profeto – Surge um complicador para a união de Lucy e Jerfferson. Um dos quatro profetas, Young fez graves ameaças a John se este não entrrega a mão de sua filha a um dos filhos de Stangerson ou de Drebber, que aparece na comunidade pela 1° vez.
Capítulo 4. Fuga para a vida – O capítulo narra apenas a fuga de Ferrier e sua filha , ajudadas por Hope. Os pretendentes de Lucy , que morrem na 1° parte, são os filhos de Stangerson e Drebber.
Capítulo 5. Os anjos vingadores – O leitor fica sabendo assim porque Holpe assassinara os dois mórmons em Londres: Vingança. Nesse capítulo encerra-se a narrativa em 3° pessoa. Ao final, o narrdor remete o leitor ao diário do Dr. Watson e lhe presta reverência. Quem seria esse narrador onisciente?
Capítulo 6. Continuação das memórias do Dr. John Watson – Praticamente todo o capítulo constitui-se do depoimento de Hope, no qual dá detalhes da perseguição que implementa por 20 anos. Os assassinatos são descritos com algum detalhe. Interessanteperceber que Hope se considera, como os detetives que o prenderam não um assassino ou homicida, mas um instrumento da justiça.
Capítulo 7. Conclusão – No capítulo de conclusão os detalhes da investigação são revelados. Interessante notar como o formato narrativo se alinha do gênero policial. Cada peça comparando um tabuleiro de causas e consequências. O leitor experimenta a posição do prório detetive, ao transitar pelas partes (pistas?) que constituem o todo (crime ?)
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
O que é neologismo: Nelly Carvalho
O que é neologismo: Nelly Carvalho
• Coleção Primeiros passos. Brasiliense (1984)
Inicialmente os neologismos eram vistos pelos gramáticos como vícios da linguagem.
(Neologismo = neo (novo/latim) + logos (palavra/grego)
Incorporar os neologismos ao vocabulário revela um sujeito desejoso de estar em sintonia com um mundo no qual as novidades se impõem vertiginosamente.
“As principais fontes de criação e surgimento de novas palavras no século 20 são a ciência e a tecnologia. ”
Ex: vídeo cassete / biogás / euromísseis.
Outras fontes de criação: Tendências políticas e sociais.
“Sempre criar uma palavra é impor um conceito por intermédio de sua representação escrita ou falada. Mais que um ato lingüístico, portanto, a criação é um ato social, uma tentativa de impor uma visão de mundo a uma comunidade.”
O neologismo é uma das provas mais cabais da relação linguagem/sociedade.
• Ainda se pode vislumbrar uma relação passado/futuro ao cotejarmos arcaísmos e neologismos: do monológico gramofone ao estereofônico; do aeroplano lento ultrapassado pelo supersônico; das senhorinhas, recatadas, às gatas, desinibidas e liberais.
OBS: Toda essa evolução, no entanto, não é notada pelos falantes comuns.
Alguns exemplos de neologismos: petista; socialista; desindexação; descartável; arrocho salarial; biopaisagem; cartum; colagem; motocross; windsurf; jornada-nas-estrelas; corta-luz.
• A inserção de um novo vocábulo, inicialmente, compromete a compreensão da mensagem.
A teoria da comunicação trata o neologismo, a princípio, como ruído no canal.
Dos tipos de formação neológicas:
1) Mudança de sentido: maneira mais simples e econômica; chama-se de neologismo conceptual ou semântico.
Ex: Mordomia/ Serviço de mordomo/ Regalia
Bóia fria/ Tipo de refeição/ Quem a usa
Outros: Salários achatados; jogadores amarelados; locomotivas da sociedade; pacote econômico; visual jovem.
2) Neologismo formal: que obedecem às regras de formação do português. Utilizam-se diversos elementos:
a- Prefixos: os mais produtivos refletem problemas sociais.
* Sub: subemprego; subconsumo; subnutrição; etc.
Obs: As primeira e terceira palavras já se encontram dicionarizadas.
* Anti: oposição, conflitos; Anti-Maluf; Anti-Vietnã.
* Mini: muito pequeno; muito produtivo por vivermos na era do minimalismo e das miniaturizações: mini jornal, minicassete.
* Bio: vida; muito produtivo em vista da preocupação com a preservação da espécie: biomassa, biocombustíveis, etc.
* Des: negação ou ação contrária; para refletir perfis políticos ou econômicos de uma época: desdolarização; desestatizar; desinstitucionalizar; etc.
b- Sufixos: mais produtivos (izar/ização ; ismo/ista)
* Revelam igualmente ideologias: lulismo, petista.
c- Composição: empréstimo-jumbo; petrodólar, etc.
d- Redução: apê; pornô; moto; loteca; multi, etc.
e- Siglas: vip; ovni; ibope etc.
f- Estrangeirismos: mixagem; jingle; status; vídeo, etc.
• Neologismo na literatura – “Toda vez em que um artista quer se expressar e não encontra palavras, lança mão da sua criatividade e das possibilidades do sistema lingüístico, dando vida a uma forma, que estava em potencial.”
Exemplos do Mia Couto:
Curiosidade: Camões – mundo; estupendo; crepitante; indômito; láctea; ebúrneo.
• No meio técnico, tende a haver uma universalização dos neologismos. Em geral os novos termos do meio técnico são criados a partir de radicais gregos e latinos, pela falta de termos específicos nas línguas naturais. Um exemplo é a palavra televisão, “idêntica” em português, francês e inglês.
Há uma instituição encarregada por esses novos termos, com sede no Canadá: Grupo interdisciplinar de pesquisa científica e aplicações em terminologia.
• OBS: A entrada de uma nova palavra no idioma pode revelar a supremacia tecnológica de uma nação sobre as outras: vídeo-game, i-pod, on-line, nobreak, gigabyte, firewall, cracker.
Isso tudo depende do grau de aceitação de uma comunidade de falantes da nova palavra. No português do Brasil, há uma tendência a aceitação dos padrões fonéticos e morfológicos da língua estrangeira:
aids = sida
mouse = rato
OBS: O mundo gastronômico também tem das suas: Croissant, escargot, champgnon
• Siglas que se nominalizaram:
a- Ibope: Inst. bras. De opinião, pesquisa e estatísticas
b- Radar: Radio detecting and Racing (PL. radars)
c- Laser: Light Amplification by stimmulate emission of radiation
Nelly Carvalho identifica um tipo de siglagem que ela chama de “marota”, pois o conhecimento ou desconhecimento de algumas delas resulta em “castas”.
3) Neologismos populares ou gírias: o termo gíria tem origem espanhola “geringonza”, que se aportuguesou como “geringonça”, objeto complicado.
As gerias se caracterizam por um modismo que logo cai em desuso; em geral estão ligadas a grupos específicos de falantes.
Sugestão: Talvez seja possível dividir as gírias em conceptual ou formal:
João dançou na prova de geo./ A TV faz a cabeça./ O menino caiu na real./ Os alunos estão por cima da carne seca.
Catimbado; mutreteiro; rabuda; sapatão; trambicagem; salafrice
Nelly Carvalho incluiu o calão e o jargão como casos de gírias.
4) Neologismos por adoção ou empréstimos: os empréstimos apresentam duas fases: na 1ª o termo é usado em sua forma original; na 2ª o termo se adéqua às coerções da língua à qual foi emprestado.
Se a palavra não se altera, temos os xenismos: skate, show, shopping, gay, etc.
OBS: O movimento purista viu nos empréstimos um caso de barbarismo (de bárbaro, estranho)
convescote x pic-nic
lundâmbulo x turista
preconício x reclame
lucivelo x abajur
ludopédio x futebol
Se essas substituições parecem absurdas, outras ocorreram com absoluta naturalidade:
Back x zagueiro
Center-forward x centro- avante
Half x meia
Cornner x escanteio
• O principal veículo de divulgação de neologismos é o jornal.
Exemplos:
“À tarde cinemei, e à noite eu, papai e mamãe teatramos...” (Millôr Fernandes)
“Floresta, município pernambucano, teve dinheirama liberada para uma mandiocalização total.”
“A democracia é apenas drumonianamente uma fotografia na parede; mas como dói.”
“Japão dispõe de área agriculturável.”
“Nasci no Engenho Verde-Nasce; então não nasci, mas verde-nasci, e verde-nascendo.”
“O sofrimento do povo é uma sofrência, misto de sofrimento e paciência.”
• Casos de Oneomínia: (Onéo/Comprar)
Nescafé = nestlé + café
Palmolive = palma + oliva
Pinhosol = pinho + sol
Bombril = bom + brilho
Exercícios
1. Lê com atenção o seguinte texto:
No subúrbio de Lisboa houve um encontro nacional de vários desportos, entre os quais se destacaram: o andebol, o basebol, o basquetebol, o futebol, hóquei e o voleibol. Os jogadores destas modalidades fizeram um teste anti–doping. Para além disso, estes jogos foram transmitidos pelo canal Eurofutebol. O jogo de basquetebol decorreu ao som do hip hop, os jogadores de futebol eram verdadeiros fintabolistas profissionais e o jogo de hóquei provocou vários hematombos e traupartidos. No fim deste encontro todos os jogadores transpiexpiravam e para repor as energias foram ao shopping da zona comer um hot–dog. À noite, a organização do encontro ofereceu bilhetes aos jogadores para uma rave party, que iria passar house music.
1.1. Preenche a tabela retirando do texto as palavras:
a) que te parecem importadas de outra língua, não sofrendo alterações (estrangeirismo);
b) que sofreram, na língua portuguesa, um processo de adaptação a nível da grafia ou da pronúncia (empréstimo);
c) que consideras novas ou adaptadas de palavras já existentes (neologismo).
Estrangeirismos Empréstimos Neologismos
2. Repara no seguinte exemplo:
O meu hobby preferido é fazer natação.
O meu passatempo preferido é fazer natação.
2.1. Como pudeste verificar o estrangeirismo foi substituído por uma palavra portuguesa. Tendo em conta este exemplo, reescreve as seguintes frases:
a) Tens que utilizar uma password para aceder ao programa.
____________________________________
b) O staff da minha empresa é muito competente.
_____________________________________
c) Hoje, a Luísa foi a um casting.
_____________________________________
d) Este produto tem um bom slogan.
_____________________________________
3. Completa as seguintes frases com as palavras que te são dadas:
Paparazzi; performance; bluff; skinhead, stock; check up; check in
a) O António fez ____________ no jogo de cartas.
b) Amanhã vou fazer um ____________ de rotina para ficar mais descansada.
c) No jornal informaram que dois jovens foram incomodados por um indivíduo que pertencia a um grupo______________ .
d) Tenho que chegar ao aeroporto duas horas mais cedo para fazer o ____________.
e) A loja de discos tem pouco _________ .
f) Adorei a ____________ do actor principal da peça de teatro.
g) Os actores de Hollywood normalmente são perseguidos pelos ________________.
• Coleção Primeiros passos. Brasiliense (1984)
Inicialmente os neologismos eram vistos pelos gramáticos como vícios da linguagem.
(Neologismo = neo (novo/latim) + logos (palavra/grego)
Incorporar os neologismos ao vocabulário revela um sujeito desejoso de estar em sintonia com um mundo no qual as novidades se impõem vertiginosamente.
“As principais fontes de criação e surgimento de novas palavras no século 20 são a ciência e a tecnologia. ”
Ex: vídeo cassete / biogás / euromísseis.
Outras fontes de criação: Tendências políticas e sociais.
“Sempre criar uma palavra é impor um conceito por intermédio de sua representação escrita ou falada. Mais que um ato lingüístico, portanto, a criação é um ato social, uma tentativa de impor uma visão de mundo a uma comunidade.”
O neologismo é uma das provas mais cabais da relação linguagem/sociedade.
• Ainda se pode vislumbrar uma relação passado/futuro ao cotejarmos arcaísmos e neologismos: do monológico gramofone ao estereofônico; do aeroplano lento ultrapassado pelo supersônico; das senhorinhas, recatadas, às gatas, desinibidas e liberais.
OBS: Toda essa evolução, no entanto, não é notada pelos falantes comuns.
Alguns exemplos de neologismos: petista; socialista; desindexação; descartável; arrocho salarial; biopaisagem; cartum; colagem; motocross; windsurf; jornada-nas-estrelas; corta-luz.
• A inserção de um novo vocábulo, inicialmente, compromete a compreensão da mensagem.
A teoria da comunicação trata o neologismo, a princípio, como ruído no canal.
Dos tipos de formação neológicas:
1) Mudança de sentido: maneira mais simples e econômica; chama-se de neologismo conceptual ou semântico.
Ex: Mordomia/ Serviço de mordomo/ Regalia
Bóia fria/ Tipo de refeição/ Quem a usa
Outros: Salários achatados; jogadores amarelados; locomotivas da sociedade; pacote econômico; visual jovem.
2) Neologismo formal: que obedecem às regras de formação do português. Utilizam-se diversos elementos:
a- Prefixos: os mais produtivos refletem problemas sociais.
* Sub: subemprego; subconsumo; subnutrição; etc.
Obs: As primeira e terceira palavras já se encontram dicionarizadas.
* Anti: oposição, conflitos; Anti-Maluf; Anti-Vietnã.
* Mini: muito pequeno; muito produtivo por vivermos na era do minimalismo e das miniaturizações: mini jornal, minicassete.
* Bio: vida; muito produtivo em vista da preocupação com a preservação da espécie: biomassa, biocombustíveis, etc.
* Des: negação ou ação contrária; para refletir perfis políticos ou econômicos de uma época: desdolarização; desestatizar; desinstitucionalizar; etc.
b- Sufixos: mais produtivos (izar/ização ; ismo/ista)
* Revelam igualmente ideologias: lulismo, petista.
c- Composição: empréstimo-jumbo; petrodólar, etc.
d- Redução: apê; pornô; moto; loteca; multi, etc.
e- Siglas: vip; ovni; ibope etc.
f- Estrangeirismos: mixagem; jingle; status; vídeo, etc.
• Neologismo na literatura – “Toda vez em que um artista quer se expressar e não encontra palavras, lança mão da sua criatividade e das possibilidades do sistema lingüístico, dando vida a uma forma, que estava em potencial.”
Exemplos do Mia Couto:
Curiosidade: Camões – mundo; estupendo; crepitante; indômito; láctea; ebúrneo.
• No meio técnico, tende a haver uma universalização dos neologismos. Em geral os novos termos do meio técnico são criados a partir de radicais gregos e latinos, pela falta de termos específicos nas línguas naturais. Um exemplo é a palavra televisão, “idêntica” em português, francês e inglês.
Há uma instituição encarregada por esses novos termos, com sede no Canadá: Grupo interdisciplinar de pesquisa científica e aplicações em terminologia.
• OBS: A entrada de uma nova palavra no idioma pode revelar a supremacia tecnológica de uma nação sobre as outras: vídeo-game, i-pod, on-line, nobreak, gigabyte, firewall, cracker.
Isso tudo depende do grau de aceitação de uma comunidade de falantes da nova palavra. No português do Brasil, há uma tendência a aceitação dos padrões fonéticos e morfológicos da língua estrangeira:
aids = sida
mouse = rato
OBS: O mundo gastronômico também tem das suas: Croissant, escargot, champgnon
• Siglas que se nominalizaram:
a- Ibope: Inst. bras. De opinião, pesquisa e estatísticas
b- Radar: Radio detecting and Racing (PL. radars)
c- Laser: Light Amplification by stimmulate emission of radiation
Nelly Carvalho identifica um tipo de siglagem que ela chama de “marota”, pois o conhecimento ou desconhecimento de algumas delas resulta em “castas”.
3) Neologismos populares ou gírias: o termo gíria tem origem espanhola “geringonza”, que se aportuguesou como “geringonça”, objeto complicado.
As gerias se caracterizam por um modismo que logo cai em desuso; em geral estão ligadas a grupos específicos de falantes.
Sugestão: Talvez seja possível dividir as gírias em conceptual ou formal:
João dançou na prova de geo./ A TV faz a cabeça./ O menino caiu na real./ Os alunos estão por cima da carne seca.
Catimbado; mutreteiro; rabuda; sapatão; trambicagem; salafrice
Nelly Carvalho incluiu o calão e o jargão como casos de gírias.
4) Neologismos por adoção ou empréstimos: os empréstimos apresentam duas fases: na 1ª o termo é usado em sua forma original; na 2ª o termo se adéqua às coerções da língua à qual foi emprestado.
Se a palavra não se altera, temos os xenismos: skate, show, shopping, gay, etc.
OBS: O movimento purista viu nos empréstimos um caso de barbarismo (de bárbaro, estranho)
convescote x pic-nic
lundâmbulo x turista
preconício x reclame
lucivelo x abajur
ludopédio x futebol
Se essas substituições parecem absurdas, outras ocorreram com absoluta naturalidade:
Back x zagueiro
Center-forward x centro- avante
Half x meia
Cornner x escanteio
• O principal veículo de divulgação de neologismos é o jornal.
Exemplos:
“À tarde cinemei, e à noite eu, papai e mamãe teatramos...” (Millôr Fernandes)
“Floresta, município pernambucano, teve dinheirama liberada para uma mandiocalização total.”
“A democracia é apenas drumonianamente uma fotografia na parede; mas como dói.”
“Japão dispõe de área agriculturável.”
“Nasci no Engenho Verde-Nasce; então não nasci, mas verde-nasci, e verde-nascendo.”
“O sofrimento do povo é uma sofrência, misto de sofrimento e paciência.”
• Casos de Oneomínia: (Onéo/Comprar)
Nescafé = nestlé + café
Palmolive = palma + oliva
Pinhosol = pinho + sol
Bombril = bom + brilho
Exercícios
1. Lê com atenção o seguinte texto:
No subúrbio de Lisboa houve um encontro nacional de vários desportos, entre os quais se destacaram: o andebol, o basebol, o basquetebol, o futebol, hóquei e o voleibol. Os jogadores destas modalidades fizeram um teste anti–doping. Para além disso, estes jogos foram transmitidos pelo canal Eurofutebol. O jogo de basquetebol decorreu ao som do hip hop, os jogadores de futebol eram verdadeiros fintabolistas profissionais e o jogo de hóquei provocou vários hematombos e traupartidos. No fim deste encontro todos os jogadores transpiexpiravam e para repor as energias foram ao shopping da zona comer um hot–dog. À noite, a organização do encontro ofereceu bilhetes aos jogadores para uma rave party, que iria passar house music.
1.1. Preenche a tabela retirando do texto as palavras:
a) que te parecem importadas de outra língua, não sofrendo alterações (estrangeirismo);
b) que sofreram, na língua portuguesa, um processo de adaptação a nível da grafia ou da pronúncia (empréstimo);
c) que consideras novas ou adaptadas de palavras já existentes (neologismo).
Estrangeirismos Empréstimos Neologismos
2. Repara no seguinte exemplo:
O meu hobby preferido é fazer natação.
O meu passatempo preferido é fazer natação.
2.1. Como pudeste verificar o estrangeirismo foi substituído por uma palavra portuguesa. Tendo em conta este exemplo, reescreve as seguintes frases:
a) Tens que utilizar uma password para aceder ao programa.
____________________________________
b) O staff da minha empresa é muito competente.
_____________________________________
c) Hoje, a Luísa foi a um casting.
_____________________________________
d) Este produto tem um bom slogan.
_____________________________________
3. Completa as seguintes frases com as palavras que te são dadas:
Paparazzi; performance; bluff; skinhead, stock; check up; check in
a) O António fez ____________ no jogo de cartas.
b) Amanhã vou fazer um ____________ de rotina para ficar mais descansada.
c) No jornal informaram que dois jovens foram incomodados por um indivíduo que pertencia a um grupo______________ .
d) Tenho que chegar ao aeroporto duas horas mais cedo para fazer o ____________.
e) A loja de discos tem pouco _________ .
f) Adorei a ____________ do actor principal da peça de teatro.
g) Os actores de Hollywood normalmente são perseguidos pelos ________________.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Carta Argumentativa
Algumas universidades, como a UEL e a Unicamp, têm cobrado nos exames vestibulares uma modalidade de texto muito interessante: a carta argumentativa.
Ao contrário do que pensam muitos vestibulandos, não há segredo algum na elaboração da carta. Aliás, ela é, segundo alguns, bem mais simples que a dissertação tradicional, haja vista que é um tipo de texto bem próximo à realidade dos alunos, dos quais a maioria certamente já escreveu uma carta a alguém.
Vejamos, então, as principais características da carta cobrada pelos vestibulares:
a) Estrutura dissertativa: costuma-se enquadrar a carta na tipologia dissertativa, uma vez que, como a dissertação tradicional, apresenta a tríade introdução / desenvolvimento / conclusão. Logo, no primeiro parágrafo, você apresentará ao leitor o ponto de vista a ser defendido; nos dois ou três subseqüentes (considerando-se uma carta de 20 a 30 linhas), encadear-se-ão os argumentos que o sustentarão; e, no último, reforçar-se-á a tese (ponto de vista) e/ou apresentar-se-á uma ou mais propostas. Os modelos de introdução, desenvolvimento e conclusão são similares aos que você já aprendeu (e você continua tendo a liberdade de inovar e cultivar o seu próprio estilo!);
b) Argumentação: como a carta não deixa de ser uma espécie de dissertação argumentativa, você deverá selecionar com bastante cuidado e capricho os argumentos que sustentarão a sua tese. É importante convencer o leitor de algo.
Apesar das semelhanças com a dissertação, que você já conhece, é claro que há diferenças importantes entre esses dois tipos de redação. Vamos ver as mais importantes:
a) Cabeçalho: na primeira linha da carta, na margem do parágrafo, aparecem o nome da cidade e a data na qual se escreve. Exemplo: Londrina, 15 de março de 2003.
b) Vocativo inicial: na linha de baixo, também na margem do parágrafo, há o termo por meio do qual você se dirige ao leitor (geralmente marcado por vírgula). A escolha desse vocativo dependerá muito do leitor e da relação social com ele estabelecida. Exemplos: Prezado senhor Fulano, Excelentíssimo senhor presidente Luís Inácio Lula da Silva, Senhor presidente Luís Inácio Lula da Silva, Caro deputado Sicrano, etc.
c) Interlocutor definido: essa é, indubitavelmente, a principal diferença entre a dissertação tradicional e a carta. Quando alguém pedia a você que produzisse um texto dissertativo, geralmente não lhe indicava aquele que o leria. Você simplesmente tinha que escrever um texto. Para alguém. Na carta, isso muda: estabelece-se uma comunicação particular entre um eu definido e um você definido. Logo, você terá que ser bastante habilidoso para adaptar a linguagem e a argumentação à realidade desse leitor e ao grau de intimidade estabelecido entre vocês dois. Imagine, por exemplo, uma carta dirigida a um presidente de uma associação de moradores de um bairro carente de determinada cidade. Esse senhor, do qual você não é íntimo, não tem o Ensino Médio completo. Então, a sua linguagem, escritor, deverá ser mais simples do que a utilizada numa carta para um juiz, por exemplo (as palavras podem ser mais simples, mas a Gramática sempre deve ser respeitada...). Os argumentos e informações deverão ser compreensíveis ao leitor, próximos da realidade dele. Mas, da mesma maneira que a competência do interlocutor não pode ser superestimada, não pode, é claro, ser menosprezada. Você deve ter bom senso e equilíbrio para selecionar os argumentos e/ou informações que não sejam óbvios ou incompreensíveis àquele que lerá a carta.
d) Necessidade de dirigir-se ao leitor: na dissertação tradicional, recomenda-se que você evite dirigir-se diretamente ao leitor por meio de verbos no imperativo (“pense”, “veja”, “imagine”, etc.). Ao escrever uma carta, essa prescrição cai por terra. Você até passa a ter a necessidade de fazer o leitor “aparecer” nas linhas. Se a carta é para ele, é claro que ele deve ser evocado no decorrer do texto. Então, verbos no imperativo – que fazem o leitor perceber que é ele o interlocutor – e vocativos são bem-vindos. Observação: é falha comum entre os alunos-escritores “disfarçar” uma dissertação tradicional de carta argumentativa. Alguns escrevem o cabeçalho, o vocativo inicial, um texto que não evoca em momento algum o leitor e, ao final, a assinatura. Tome cuidado! Na carta, vale reforçar, o leitor “aparece”.
e) Expressão que introduz a assinatura: terminada a carta, é de praxe produzir, na linha de baixo (margem do parágrafo), uma expressão que precede a assinatura do autor. A mais comum é “Atenciosamente”, mas, dependendo da sua criatividade e das suas intenções para com o interlocutor, será possível gerar várias outras expressões, como “De um amigo”, “De um cidadão que votou no senhor”, De alguém que deseja ser atendido”, etc.
f) Assinatura: um texto pessoal, como é a carta, deve ser assinado pelo autor. Nos vestibulares, porém, costuma-se solicitar ao aluno que não escreva o próprio nome por extenso. Na Unicamp, por exemplo, ele deve escrever a inicial do nome e dos sobrenomes (J. A. P. para João Alves Pereira, por exemplo). Na UEL, somente a inicial do prenome deve aparecer (J. para o nome supracitado). Essa postura adotada pelas universidades é importante para que se garanta a imparcialidade dos corretores na avaliação das redações.
UM EXEMPLO DE CARTA
Leia agora uma carta argumentativa baseada num tema proposto pela UEL em 2002. Preste muita atenção ao que foi pedido no enunciado e aos textos de apoio (suprimiu-se, por questões de espaço, um trecho do texto b). Note que os elementos da estrutura da carta foram respeitados pelo autor:
A partir da leitura crítica dos textos de apoio, escreva uma carta dirigida a um jornal da cidade, sugerindo medidas para conter a violência em Londrina.
a) A violência, quem diria, já não é o que mais preocupa o brasileiro. Chegamos à era da selvageria.
(Marcelo Carneiro e Ronaldo França)
Não é preciso ser especialista em segurança pública para perceber que o crime atingiu níveis insuportáveis. Hoje, as vítimas da violência têm a sensação quase de alívio quando, num assalto, perdem a carteira ou o carro - e não a vida.
Essa espiral de insegurança gerou uma variante ainda mais assustadora. É o crime com crueldade. A morte trágica de Tim Lopes, o repórter da Rede Globo que realizava uma reportagem sobre tráfico de drogas e exploração sexual de menores em um baile funk numa favela da Zona Norte do Rio de Janeiro, é apenas o exemplo mais recente de uma tragédia que se repete a toda hora. Desta vez, com uma questão ainda mais aguda: por que um bandido precisa brutalizar as suas vítimas?
O fato de as cenas mais chocantes da brutalidade estarem quase sempre associadas a regiões pobres das áreas metropolitanas das capitais brasileiras criou, em alguns especialistas, a idéia de que boa parte dos problemas de segurança poderia ser resolvida com investimentos maciços na área social. Trata-se de um equívoco.
Um levantamento do jornal O Globo mostra que, desde 1995, a prefeitura do Rio já investiu quase 2 bilhões de reais em projetos de urbanização, saneamento e lazer em favelas. Isso não impediu que, nos últimos dez anos, houvesse um crescimento de 41% no número de mortes de jovens entre 15 a 24 anos, na maioria moradores de áreas carentes.
O aumento da criminalidade desafia qualquer lógica que vincule, de modo simplista, indicadores sociais a baixos índices de violência. Desde a década de 80, quando o tráfico de drogas passou a se estabelecer definitivamente nas principais cidades brasileiras, os números relativos à educação, saúde e saneamento só fazem melhorar no país.
O investimento dos governos estaduais em segurança também é crescente. Só neste ano, o governador paulista, Geraldo Alckmin, prometeu destinar 190 milhões de reais para o combate à criminalidade, a construção de três penitenciárias e a aquisição de novos veículos - um recorde.
"Vincular violência somente a problemas sociais, por exemplo, é um erro. O crime organizado e a brutalidade que ele gera são um fenômeno internacional", diz a juíza aposentada Denise Frossard. Os códigos de crueldade das organizações criminosas chinesas, com mutilações do globo ocular, ou da máfia italiana, especializada em decepar a língua dos traidores, não diferem em nada do "microondas", criação dos traficantes cariocas para incinerar seus inimigos.
As soluções para tentar diminuir a espiral da brutalidade também podem ser encontradas no exterior. Criado em 1993, o projeto de Tolerância Zero, da prefeitura de Nova York, tinha desde o início o objetivo de combater os violentos crimes de homicídio por tráfico de drogas. Descobriu-se que o furto de veículos, um crime mais leve, tinha relação direta com os assassinatos.
Combatendo-se o furto, caía também o número de mortes. Assim feito, ao mesmo tempo que uma faxina nas delegacias eliminou centenas de policiais corruptos. São medidas que, no Brasil, ainda estão no campo da discussão. Quando finalmente se decidir pela ação, talvez já seja tarde. Por enquanto, a sociedade se pergunta, perplexa, como pode uma parte dela comportar-se de modo tão bárbaro. (Veja, jun. de 2002)
b) Iniciativas contra sete gatilhos da violência urbana
É imprescindível discutir a violência quando ocorre um homicídio por hora só na grande São Paulo. A cifra prova que o poder público fracassou numa das principais obrigações determinadas pela Constituição: garantir a segurança dos cidadãos. Este artigo apresenta iniciativas que tentam minimizar algumas causas da violência como as detalhadas no quadro abaixo. Elas atuam sobre sete fatores que influem na criminalidade: desemprego, narcotráfico, urbanização, cidadania, qualidade de vida, identidade e família.
Vigário Geral
Nome: Grupo Cultural Afro Reggae
Área de atuação: combate ao narcotráfico e ao subemprego Comunidades atendidas: Vigário geral, Cidade de Deus, Cantagalo e Parada de Lucas, Rio de Janeiro (RJ)
População atendida: 744 jovens e adultos (números atuais)
Quando começou: 21 de janeiro de 1993
Quem financia: Fundação Ford (apoio institucional)
Mais informações: site...
Jardim Ângela
Nome: Base Comunitária da Polícia Militar
Área de atuação: policiamento e atendimento social
Comunidades atendidas: Jardim Ângela
População atendida: 260 mil habitantes
Quando começou: 1998
Quem financia: Governo do Estado de São Paulo
Mais informações: fone...
(...)
Exemplo de carta
Londrina, 10 de setembro de 2002
Prezado editor,
O senhor e eu podemos afirmar com segurança que a violência em Londrina atingiu proporções caóticas. Para chegar a tal conclusão, não é necessário recorrer a estatísticas. Basta sairmos às ruas (a pé ou de carro) num dia de "sorte" para constatarmos pessoalmente a gravidade da situação. Mas não acredito que esse quadro seja irremediável. Se as nossas autoridades seguirem alguns exemplos nacionais e internacionais, tenho a certeza de que poderemos ter mais tranqüilidade na terceira cidade mais importante do Sul do país.
Um bom modelo de ação a ser considerado é o adotado em Vigário Geral, no Rio de Janeiro, onde foi criado, no início de 1993, o Grupo cultural Afro Reggae. A iniciativa, cujos principais alvos são o tráfico de drogas e o subemprego, tem beneficiado cerca de 750 jovens. Além de Vigário Geral, são atendidas pelo grupo as comunidades de Cidade de Deus, Cantagalo e Parada de Lucas.
Mas combater somente o narcotráfico e o problema do desemprego não basta, como nos demonstra um paradigma do exterior. Foi muito divulgado pela mídia - inclusive pelo seu jornal, a Folha de Londrina - o projeto de Tolerância Zero, adotado pela prefeitura nova-iorquina há cerca de dez anos.
Por meio desse plano, foi descoberto que, além de reprimir os homicídios relacionados ao narcotráfico (intenção inicial), seria mister combater outros crimes, não tão graves, mas que também tinham relação direta com a incidência de assassinatos. A diminuição do número de casos de furtos de veículos, por exemplo, teve repercussão positiva na redução de homicídios.
Convenhamos, senhor editor: faltam vontade e ação políticas. Já não é tempo de as nossas autoridades se espelharem em bons modelos? As iniciativas mencionadas foram somente duas de várias outras, em nosso e em outros países, que poderiam sanar ou, pelo menos, mitigar o problema da violência em Londrina, que tem assustado a todos.
Espero que o senhor publique esta carta como forma de exteriorizar o protesto e as propostas deste leitor, que, como todos os londrinenses, deseja viver tranqüilamente em nossa cidade.
Atenciosamente,
M.
Percebeu como a estrutura da carta é dissertativa? No primeiro parágrafo – releia e confira – é apresentada a tese a ser defendida (a de que a situação da violência é grave, mas não irremediável); nos dois parágrafos subseqüentes (o desenvolvimento), são apresentadas, obedecendo ao que se pediu no enunciado, propostas para combater a violência na cidade de Londrina; e no último parágrafo, a conclusão, propõe-se que as autoridades sigam exemplos como os citados no desenvolvimento.
O leitor, o editor do jornal, “apareceu” no texto, o que é muito positivo em se tratando de uma carta. E, como não poderia deixar de ser, foram respeitados os elementos pré-textuais (cabeçalho e vocativo) e pós-textuais (expressão introdutora de assinatura e assinatura).
Ao contrário do que pensam muitos vestibulandos, não há segredo algum na elaboração da carta. Aliás, ela é, segundo alguns, bem mais simples que a dissertação tradicional, haja vista que é um tipo de texto bem próximo à realidade dos alunos, dos quais a maioria certamente já escreveu uma carta a alguém.
Vejamos, então, as principais características da carta cobrada pelos vestibulares:
a) Estrutura dissertativa: costuma-se enquadrar a carta na tipologia dissertativa, uma vez que, como a dissertação tradicional, apresenta a tríade introdução / desenvolvimento / conclusão. Logo, no primeiro parágrafo, você apresentará ao leitor o ponto de vista a ser defendido; nos dois ou três subseqüentes (considerando-se uma carta de 20 a 30 linhas), encadear-se-ão os argumentos que o sustentarão; e, no último, reforçar-se-á a tese (ponto de vista) e/ou apresentar-se-á uma ou mais propostas. Os modelos de introdução, desenvolvimento e conclusão são similares aos que você já aprendeu (e você continua tendo a liberdade de inovar e cultivar o seu próprio estilo!);
b) Argumentação: como a carta não deixa de ser uma espécie de dissertação argumentativa, você deverá selecionar com bastante cuidado e capricho os argumentos que sustentarão a sua tese. É importante convencer o leitor de algo.
Apesar das semelhanças com a dissertação, que você já conhece, é claro que há diferenças importantes entre esses dois tipos de redação. Vamos ver as mais importantes:
a) Cabeçalho: na primeira linha da carta, na margem do parágrafo, aparecem o nome da cidade e a data na qual se escreve. Exemplo: Londrina, 15 de março de 2003.
b) Vocativo inicial: na linha de baixo, também na margem do parágrafo, há o termo por meio do qual você se dirige ao leitor (geralmente marcado por vírgula). A escolha desse vocativo dependerá muito do leitor e da relação social com ele estabelecida. Exemplos: Prezado senhor Fulano, Excelentíssimo senhor presidente Luís Inácio Lula da Silva, Senhor presidente Luís Inácio Lula da Silva, Caro deputado Sicrano, etc.
c) Interlocutor definido: essa é, indubitavelmente, a principal diferença entre a dissertação tradicional e a carta. Quando alguém pedia a você que produzisse um texto dissertativo, geralmente não lhe indicava aquele que o leria. Você simplesmente tinha que escrever um texto. Para alguém. Na carta, isso muda: estabelece-se uma comunicação particular entre um eu definido e um você definido. Logo, você terá que ser bastante habilidoso para adaptar a linguagem e a argumentação à realidade desse leitor e ao grau de intimidade estabelecido entre vocês dois. Imagine, por exemplo, uma carta dirigida a um presidente de uma associação de moradores de um bairro carente de determinada cidade. Esse senhor, do qual você não é íntimo, não tem o Ensino Médio completo. Então, a sua linguagem, escritor, deverá ser mais simples do que a utilizada numa carta para um juiz, por exemplo (as palavras podem ser mais simples, mas a Gramática sempre deve ser respeitada...). Os argumentos e informações deverão ser compreensíveis ao leitor, próximos da realidade dele. Mas, da mesma maneira que a competência do interlocutor não pode ser superestimada, não pode, é claro, ser menosprezada. Você deve ter bom senso e equilíbrio para selecionar os argumentos e/ou informações que não sejam óbvios ou incompreensíveis àquele que lerá a carta.
d) Necessidade de dirigir-se ao leitor: na dissertação tradicional, recomenda-se que você evite dirigir-se diretamente ao leitor por meio de verbos no imperativo (“pense”, “veja”, “imagine”, etc.). Ao escrever uma carta, essa prescrição cai por terra. Você até passa a ter a necessidade de fazer o leitor “aparecer” nas linhas. Se a carta é para ele, é claro que ele deve ser evocado no decorrer do texto. Então, verbos no imperativo – que fazem o leitor perceber que é ele o interlocutor – e vocativos são bem-vindos. Observação: é falha comum entre os alunos-escritores “disfarçar” uma dissertação tradicional de carta argumentativa. Alguns escrevem o cabeçalho, o vocativo inicial, um texto que não evoca em momento algum o leitor e, ao final, a assinatura. Tome cuidado! Na carta, vale reforçar, o leitor “aparece”.
e) Expressão que introduz a assinatura: terminada a carta, é de praxe produzir, na linha de baixo (margem do parágrafo), uma expressão que precede a assinatura do autor. A mais comum é “Atenciosamente”, mas, dependendo da sua criatividade e das suas intenções para com o interlocutor, será possível gerar várias outras expressões, como “De um amigo”, “De um cidadão que votou no senhor”, De alguém que deseja ser atendido”, etc.
f) Assinatura: um texto pessoal, como é a carta, deve ser assinado pelo autor. Nos vestibulares, porém, costuma-se solicitar ao aluno que não escreva o próprio nome por extenso. Na Unicamp, por exemplo, ele deve escrever a inicial do nome e dos sobrenomes (J. A. P. para João Alves Pereira, por exemplo). Na UEL, somente a inicial do prenome deve aparecer (J. para o nome supracitado). Essa postura adotada pelas universidades é importante para que se garanta a imparcialidade dos corretores na avaliação das redações.
UM EXEMPLO DE CARTA
Leia agora uma carta argumentativa baseada num tema proposto pela UEL em 2002. Preste muita atenção ao que foi pedido no enunciado e aos textos de apoio (suprimiu-se, por questões de espaço, um trecho do texto b). Note que os elementos da estrutura da carta foram respeitados pelo autor:
A partir da leitura crítica dos textos de apoio, escreva uma carta dirigida a um jornal da cidade, sugerindo medidas para conter a violência em Londrina.
a) A violência, quem diria, já não é o que mais preocupa o brasileiro. Chegamos à era da selvageria.
(Marcelo Carneiro e Ronaldo França)
Não é preciso ser especialista em segurança pública para perceber que o crime atingiu níveis insuportáveis. Hoje, as vítimas da violência têm a sensação quase de alívio quando, num assalto, perdem a carteira ou o carro - e não a vida.
Essa espiral de insegurança gerou uma variante ainda mais assustadora. É o crime com crueldade. A morte trágica de Tim Lopes, o repórter da Rede Globo que realizava uma reportagem sobre tráfico de drogas e exploração sexual de menores em um baile funk numa favela da Zona Norte do Rio de Janeiro, é apenas o exemplo mais recente de uma tragédia que se repete a toda hora. Desta vez, com uma questão ainda mais aguda: por que um bandido precisa brutalizar as suas vítimas?
O fato de as cenas mais chocantes da brutalidade estarem quase sempre associadas a regiões pobres das áreas metropolitanas das capitais brasileiras criou, em alguns especialistas, a idéia de que boa parte dos problemas de segurança poderia ser resolvida com investimentos maciços na área social. Trata-se de um equívoco.
Um levantamento do jornal O Globo mostra que, desde 1995, a prefeitura do Rio já investiu quase 2 bilhões de reais em projetos de urbanização, saneamento e lazer em favelas. Isso não impediu que, nos últimos dez anos, houvesse um crescimento de 41% no número de mortes de jovens entre 15 a 24 anos, na maioria moradores de áreas carentes.
O aumento da criminalidade desafia qualquer lógica que vincule, de modo simplista, indicadores sociais a baixos índices de violência. Desde a década de 80, quando o tráfico de drogas passou a se estabelecer definitivamente nas principais cidades brasileiras, os números relativos à educação, saúde e saneamento só fazem melhorar no país.
O investimento dos governos estaduais em segurança também é crescente. Só neste ano, o governador paulista, Geraldo Alckmin, prometeu destinar 190 milhões de reais para o combate à criminalidade, a construção de três penitenciárias e a aquisição de novos veículos - um recorde.
"Vincular violência somente a problemas sociais, por exemplo, é um erro. O crime organizado e a brutalidade que ele gera são um fenômeno internacional", diz a juíza aposentada Denise Frossard. Os códigos de crueldade das organizações criminosas chinesas, com mutilações do globo ocular, ou da máfia italiana, especializada em decepar a língua dos traidores, não diferem em nada do "microondas", criação dos traficantes cariocas para incinerar seus inimigos.
As soluções para tentar diminuir a espiral da brutalidade também podem ser encontradas no exterior. Criado em 1993, o projeto de Tolerância Zero, da prefeitura de Nova York, tinha desde o início o objetivo de combater os violentos crimes de homicídio por tráfico de drogas. Descobriu-se que o furto de veículos, um crime mais leve, tinha relação direta com os assassinatos.
Combatendo-se o furto, caía também o número de mortes. Assim feito, ao mesmo tempo que uma faxina nas delegacias eliminou centenas de policiais corruptos. São medidas que, no Brasil, ainda estão no campo da discussão. Quando finalmente se decidir pela ação, talvez já seja tarde. Por enquanto, a sociedade se pergunta, perplexa, como pode uma parte dela comportar-se de modo tão bárbaro. (Veja, jun. de 2002)
b) Iniciativas contra sete gatilhos da violência urbana
É imprescindível discutir a violência quando ocorre um homicídio por hora só na grande São Paulo. A cifra prova que o poder público fracassou numa das principais obrigações determinadas pela Constituição: garantir a segurança dos cidadãos. Este artigo apresenta iniciativas que tentam minimizar algumas causas da violência como as detalhadas no quadro abaixo. Elas atuam sobre sete fatores que influem na criminalidade: desemprego, narcotráfico, urbanização, cidadania, qualidade de vida, identidade e família.
Vigário Geral
Nome: Grupo Cultural Afro Reggae
Área de atuação: combate ao narcotráfico e ao subemprego Comunidades atendidas: Vigário geral, Cidade de Deus, Cantagalo e Parada de Lucas, Rio de Janeiro (RJ)
População atendida: 744 jovens e adultos (números atuais)
Quando começou: 21 de janeiro de 1993
Quem financia: Fundação Ford (apoio institucional)
Mais informações: site...
Jardim Ângela
Nome: Base Comunitária da Polícia Militar
Área de atuação: policiamento e atendimento social
Comunidades atendidas: Jardim Ângela
População atendida: 260 mil habitantes
Quando começou: 1998
Quem financia: Governo do Estado de São Paulo
Mais informações: fone...
(...)
Exemplo de carta
Londrina, 10 de setembro de 2002
Prezado editor,
O senhor e eu podemos afirmar com segurança que a violência em Londrina atingiu proporções caóticas. Para chegar a tal conclusão, não é necessário recorrer a estatísticas. Basta sairmos às ruas (a pé ou de carro) num dia de "sorte" para constatarmos pessoalmente a gravidade da situação. Mas não acredito que esse quadro seja irremediável. Se as nossas autoridades seguirem alguns exemplos nacionais e internacionais, tenho a certeza de que poderemos ter mais tranqüilidade na terceira cidade mais importante do Sul do país.
Um bom modelo de ação a ser considerado é o adotado em Vigário Geral, no Rio de Janeiro, onde foi criado, no início de 1993, o Grupo cultural Afro Reggae. A iniciativa, cujos principais alvos são o tráfico de drogas e o subemprego, tem beneficiado cerca de 750 jovens. Além de Vigário Geral, são atendidas pelo grupo as comunidades de Cidade de Deus, Cantagalo e Parada de Lucas.
Mas combater somente o narcotráfico e o problema do desemprego não basta, como nos demonstra um paradigma do exterior. Foi muito divulgado pela mídia - inclusive pelo seu jornal, a Folha de Londrina - o projeto de Tolerância Zero, adotado pela prefeitura nova-iorquina há cerca de dez anos.
Por meio desse plano, foi descoberto que, além de reprimir os homicídios relacionados ao narcotráfico (intenção inicial), seria mister combater outros crimes, não tão graves, mas que também tinham relação direta com a incidência de assassinatos. A diminuição do número de casos de furtos de veículos, por exemplo, teve repercussão positiva na redução de homicídios.
Convenhamos, senhor editor: faltam vontade e ação políticas. Já não é tempo de as nossas autoridades se espelharem em bons modelos? As iniciativas mencionadas foram somente duas de várias outras, em nosso e em outros países, que poderiam sanar ou, pelo menos, mitigar o problema da violência em Londrina, que tem assustado a todos.
Espero que o senhor publique esta carta como forma de exteriorizar o protesto e as propostas deste leitor, que, como todos os londrinenses, deseja viver tranqüilamente em nossa cidade.
Atenciosamente,
M.
Percebeu como a estrutura da carta é dissertativa? No primeiro parágrafo – releia e confira – é apresentada a tese a ser defendida (a de que a situação da violência é grave, mas não irremediável); nos dois parágrafos subseqüentes (o desenvolvimento), são apresentadas, obedecendo ao que se pediu no enunciado, propostas para combater a violência na cidade de Londrina; e no último parágrafo, a conclusão, propõe-se que as autoridades sigam exemplos como os citados no desenvolvimento.
O leitor, o editor do jornal, “apareceu” no texto, o que é muito positivo em se tratando de uma carta. E, como não poderia deixar de ser, foram respeitados os elementos pré-textuais (cabeçalho e vocativo) e pós-textuais (expressão introdutora de assinatura e assinatura).
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
INTRODUÇÃO
Neste tutorial iremos verificar a estrutura e a formação das palavras.
Primeiramente será estudada a estrutura da palavra, ou seja, como ela é formada. Em seguida o processo de formação das palavras.
ESTRUTURA DAS PALAVRAS
A palavra é subdivida em partes menores, chamadas de elementos mórficos.
Exemplo: gatinho – gat + inho
Infelizmente – in + feliz + mente
ELEMENTOS MÓRFICOS
Os elementos mórficos são:
Radical;
Vogal temática;
Tema;
Desinência;
Afixo;
Vogais e consoantes de ligação.
RADICAL
O significado básico da palavra está contido nesse elemento; a ele são acrescentados outros elementos.
Exemplo: pedra, pedreiro, pedrinha.
VOGAL TEMÁTICA
Tem como função preparar o radical para ser acrescido pelas desinências e também indicar a conjugação a que o verbo pertence.
Exemplo: cantar, vender, partir.
OBSERVAÇÃO:
Nem todas as formas verbais possuem a vogal temática.
Exemplo: parto (radical + desinência)
TEMA
É o radical com a presença da vogal temática.
Exemplo: choro, canta.
DESINÊNCIAS
São elementos que indicam as flexões que os nomes e os verbos podem apresentar. São subdivididas em:
DESINÊNCIAS NOMINAIS;
DESINÊNCIAS VERBAIS.
DESINÊNCIAS NOMINAIS – indicam o gênero e número. As desinências de gênero são a e o; as desinências de número são o s para o plural e o singular não tem desinência própria.
Exemplo: gat o
Radical desinência nominal de gênero
Gat o s
Radical d.n.g d.n.n
d.n.g » desinência nominal de gênero
d.n.n » desinência nominal de número
DESINÊNCIAS VERBAIS – indicam o modo, número, pessoa e tempo dos verbos.
Exemplo: cant á va mos
Radical v.t d.m.t d.n.p
v.t » vogal temática
d.m.t » desinência modo-temporal
d.n.p » desinência número-pessoal
AFIXOS
São elementos que se juntam aos radicais para formação de novas palavras. Os afixos podem ser:
PREFIXOS – quando colocado antes do radical;
SUFIXOS – quando colocado depois do radical
Exemplo:
Pedrada.
Inviável.
Infelizmente
VOGAIS E CONSOANTES DE LIGAÇÃO
São elementos que são inseridos entre os morfemas (elementos mórficos), em geral, por motivos de eufonia, ou seja, para facilitar a pronúncia de certas palavras.
Exemplo: silvícola, paulada, cafeicultura.
PROCESSO DE FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
Inicialmente observemos alguns conceitos sobre palavras primitivas e derivadas e palavras simples e compostas:
PALAVRAS PRIMITIVAS – palavras que não são formadas a partir de outras.
Exemplo: pedra, casa, paz, etc.
PALAVRASDERIVADAS – palavras que são formadas a partir de outras já existentes.
Exemplo: pedrada (derivada de pedra), ferreiro (derivada de ferro).
PALAVRASSIMPLES – são aquelas que possuem apenas um radical.
Exemplo: cidade, casa, pedra.
PALAVRASCOMPOSTAS - são palavras que apresentam dois ou mais radicais.
Exemplo: pé-de-moleque, pernilongo, guarda-chuva.
Na língua portuguesa existem dois processos de formação de novas palavras: derivação e composição.
DERIVAÇÃO
É o processo pelo qual palavras novas (derivadas) são formadas a partir de outras que já existem (primitivas). Podem ocorrer das seguintes maneiras:
Prefixal;
Sufixal;
Parassintética;
Regressiva;
Imprópria.
PREFIXAL – processo de derivação pelo qual é acrescido um prefixo a um radical.
Exemplo: desfazer, inútil.
Vejamos alguns prefixos latinos e gregos mais utilizados:
PREFIXO LATINO PREFIXO GREGO SIGNIFICADO EXEMPLOS
PREF. LATINO PREF. GREGO
Ab-, abs- Apo- Afastamento Abs ter Apo geu
Ambi- Anfi- Duplicidade Ambí guo Anfí bio
Bi- di- Dois Bí pede Dí grafo
Ex- Ex- Para fora Ex ternar Êx odo
Supra Epi- Acima de Supra citar Epi táfio
SUFIXAL – processo de derivação pelo qual é acrescido um sufixo a um radical.
Exemplo: carrinho, livraria.
Vejamos alguns sufixos latinos e alguns gregos:
SUFIXO LATINO EXEMPLO SUFIXO GREGO EXEMPLO
-ada Paulada -ia Geologia
-eria Selvageria -ismo Catolicismo
-ável Amável -ose Micose
PARASSINTÉTICA – processo de derivação pelo qual é acrescido um prefixo e sufixo simultaneamente ao radical.
Exemplo: anoitecer, pernoitar.
OBSERVAÇÃO :
Existem palavras que apresentam prefixo e sufixo, mas não são formadas por parassíntese. Para que ocorra a parassíntese é necessários que o prefixo e o sufixo juntem-se ao radical ao mesmo tempo. Para verificar tal derivação basta retirar o prefixo ou o sufixo da palavra. Se a palavra deixar de ter sentido, então ela foi formada por derivação parassintética. Caso a palavra continue a ter sentido, mesmo com a retirada do prefixo ou do sufixo, ela terá sido formada por derivação prefixal e sufixal.
REGRESSIVA - processo de derivação em que são formados substantivos a partir de verbos.
Exemplo: Ninguém justificou o atraso. (do verbo atrasar)
O debate foi longo. (do verbo debater)
IMPRÓPRIA - processo de derivação que consiste na mudança de classe gramatical da palavra sem que sua forma se altere.
Exemplo: O jantar estava ótimo
COMPOSIÇÃO
É o processo pelo qual a palavra é formada pela junção de dois ou mais radicais. A composição pode ocorrer de duas formas:
JUSTAPOSIÇÃO e AGLUTINAÇÃO.
JUSTAPOSIÇÃO – quando não há alteração nas palavras e continua a serem faladas (escritas) da mesma forma como eram antes da composição.
Exemplo: girassol (gira + sol), pé-de-moleque (pé + de + moleque)
AGLUTINAÇÃO – quando há alteração em pelo menos uma das palavras seja na grafia ou na pronúncia.
Exemplo: planalto (plano + alto)
Além da derivação e da composição existem outros tipos de formação de palavras que são hibridismo, abreviação e onomatopéia.
ABREVIAÇÃO OU REDUÇÃO
É a forma reduzida apresentada por algumas palavras:
Exemplo: auto (automóvel), quilo (quilograma), moto (motocicleta).
HIBRIDISMO
É a formação de palavras a partir da junção de elementos de idiomas diferentes.
Exemplo: automóvel (auto – grego + móvel – latim), burocracia (buro – francês + cracia – grego).
ONOMATOPÉIA
Consiste na criação de palavras através da tentativa de imitar vozes ou sons da natureza.
Exemplo: fonfom, cocoricó, tique-taque, boom!.
Finda-se mais um tutorial onde pudemos observar o seguinte:
A estrutura das palavras contém o radical (elemento estrutural básico), afixos (elementos que se juntam ao radical para formação de novas palavras – PREFIXO e SUFIXO), as desinências (nominais – indicam gênero e número e verbais – indicam pessoa, modo, tempo e número dos verbos), a vogal temática (que indicam a conjugação do verbo – a, e, i) e o tema que é a junção do radical com a vogal temática.
Já no processo de formação das palavras temos a derivação, subdividida em prefixal, sufixal, parassíntese, regressiva e imprópria e a composição que se subdivide em justaposição e aglutinação. Além desses dois processos temos o hibridismo, a onomatopéia e a abreviação como processos secundários na formação das palavras.
No link abaixo você encontra uma lista de radicais, prefixos e sufixos:
www.etepiracicaba.org.br/cursos/exercicios/em/radicais1.pdf
Neste tutorial iremos verificar a estrutura e a formação das palavras.
Primeiramente será estudada a estrutura da palavra, ou seja, como ela é formada. Em seguida o processo de formação das palavras.
ESTRUTURA DAS PALAVRAS
A palavra é subdivida em partes menores, chamadas de elementos mórficos.
Exemplo: gatinho – gat + inho
Infelizmente – in + feliz + mente
ELEMENTOS MÓRFICOS
Os elementos mórficos são:
Radical;
Vogal temática;
Tema;
Desinência;
Afixo;
Vogais e consoantes de ligação.
RADICAL
O significado básico da palavra está contido nesse elemento; a ele são acrescentados outros elementos.
Exemplo: pedra, pedreiro, pedrinha.
VOGAL TEMÁTICA
Tem como função preparar o radical para ser acrescido pelas desinências e também indicar a conjugação a que o verbo pertence.
Exemplo: cantar, vender, partir.
OBSERVAÇÃO:
Nem todas as formas verbais possuem a vogal temática.
Exemplo: parto (radical + desinência)
TEMA
É o radical com a presença da vogal temática.
Exemplo: choro, canta.
DESINÊNCIAS
São elementos que indicam as flexões que os nomes e os verbos podem apresentar. São subdivididas em:
DESINÊNCIAS NOMINAIS;
DESINÊNCIAS VERBAIS.
DESINÊNCIAS NOMINAIS – indicam o gênero e número. As desinências de gênero são a e o; as desinências de número são o s para o plural e o singular não tem desinência própria.
Exemplo: gat o
Radical desinência nominal de gênero
Gat o s
Radical d.n.g d.n.n
d.n.g » desinência nominal de gênero
d.n.n » desinência nominal de número
DESINÊNCIAS VERBAIS – indicam o modo, número, pessoa e tempo dos verbos.
Exemplo: cant á va mos
Radical v.t d.m.t d.n.p
v.t » vogal temática
d.m.t » desinência modo-temporal
d.n.p » desinência número-pessoal
AFIXOS
São elementos que se juntam aos radicais para formação de novas palavras. Os afixos podem ser:
PREFIXOS – quando colocado antes do radical;
SUFIXOS – quando colocado depois do radical
Exemplo:
Pedrada.
Inviável.
Infelizmente
VOGAIS E CONSOANTES DE LIGAÇÃO
São elementos que são inseridos entre os morfemas (elementos mórficos), em geral, por motivos de eufonia, ou seja, para facilitar a pronúncia de certas palavras.
Exemplo: silvícola, paulada, cafeicultura.
PROCESSO DE FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
Inicialmente observemos alguns conceitos sobre palavras primitivas e derivadas e palavras simples e compostas:
PALAVRAS PRIMITIVAS – palavras que não são formadas a partir de outras.
Exemplo: pedra, casa, paz, etc.
PALAVRASDERIVADAS – palavras que são formadas a partir de outras já existentes.
Exemplo: pedrada (derivada de pedra), ferreiro (derivada de ferro).
PALAVRASSIMPLES – são aquelas que possuem apenas um radical.
Exemplo: cidade, casa, pedra.
PALAVRASCOMPOSTAS - são palavras que apresentam dois ou mais radicais.
Exemplo: pé-de-moleque, pernilongo, guarda-chuva.
Na língua portuguesa existem dois processos de formação de novas palavras: derivação e composição.
DERIVAÇÃO
É o processo pelo qual palavras novas (derivadas) são formadas a partir de outras que já existem (primitivas). Podem ocorrer das seguintes maneiras:
Prefixal;
Sufixal;
Parassintética;
Regressiva;
Imprópria.
PREFIXAL – processo de derivação pelo qual é acrescido um prefixo a um radical.
Exemplo: desfazer, inútil.
Vejamos alguns prefixos latinos e gregos mais utilizados:
PREFIXO LATINO PREFIXO GREGO SIGNIFICADO EXEMPLOS
PREF. LATINO PREF. GREGO
Ab-, abs- Apo- Afastamento Abs ter Apo geu
Ambi- Anfi- Duplicidade Ambí guo Anfí bio
Bi- di- Dois Bí pede Dí grafo
Ex- Ex- Para fora Ex ternar Êx odo
Supra Epi- Acima de Supra citar Epi táfio
SUFIXAL – processo de derivação pelo qual é acrescido um sufixo a um radical.
Exemplo: carrinho, livraria.
Vejamos alguns sufixos latinos e alguns gregos:
SUFIXO LATINO EXEMPLO SUFIXO GREGO EXEMPLO
-ada Paulada -ia Geologia
-eria Selvageria -ismo Catolicismo
-ável Amável -ose Micose
PARASSINTÉTICA – processo de derivação pelo qual é acrescido um prefixo e sufixo simultaneamente ao radical.
Exemplo: anoitecer, pernoitar.
OBSERVAÇÃO :
Existem palavras que apresentam prefixo e sufixo, mas não são formadas por parassíntese. Para que ocorra a parassíntese é necessários que o prefixo e o sufixo juntem-se ao radical ao mesmo tempo. Para verificar tal derivação basta retirar o prefixo ou o sufixo da palavra. Se a palavra deixar de ter sentido, então ela foi formada por derivação parassintética. Caso a palavra continue a ter sentido, mesmo com a retirada do prefixo ou do sufixo, ela terá sido formada por derivação prefixal e sufixal.
REGRESSIVA - processo de derivação em que são formados substantivos a partir de verbos.
Exemplo: Ninguém justificou o atraso. (do verbo atrasar)
O debate foi longo. (do verbo debater)
IMPRÓPRIA - processo de derivação que consiste na mudança de classe gramatical da palavra sem que sua forma se altere.
Exemplo: O jantar estava ótimo
COMPOSIÇÃO
É o processo pelo qual a palavra é formada pela junção de dois ou mais radicais. A composição pode ocorrer de duas formas:
JUSTAPOSIÇÃO e AGLUTINAÇÃO.
JUSTAPOSIÇÃO – quando não há alteração nas palavras e continua a serem faladas (escritas) da mesma forma como eram antes da composição.
Exemplo: girassol (gira + sol), pé-de-moleque (pé + de + moleque)
AGLUTINAÇÃO – quando há alteração em pelo menos uma das palavras seja na grafia ou na pronúncia.
Exemplo: planalto (plano + alto)
Além da derivação e da composição existem outros tipos de formação de palavras que são hibridismo, abreviação e onomatopéia.
ABREVIAÇÃO OU REDUÇÃO
É a forma reduzida apresentada por algumas palavras:
Exemplo: auto (automóvel), quilo (quilograma), moto (motocicleta).
HIBRIDISMO
É a formação de palavras a partir da junção de elementos de idiomas diferentes.
Exemplo: automóvel (auto – grego + móvel – latim), burocracia (buro – francês + cracia – grego).
ONOMATOPÉIA
Consiste na criação de palavras através da tentativa de imitar vozes ou sons da natureza.
Exemplo: fonfom, cocoricó, tique-taque, boom!.
Finda-se mais um tutorial onde pudemos observar o seguinte:
A estrutura das palavras contém o radical (elemento estrutural básico), afixos (elementos que se juntam ao radical para formação de novas palavras – PREFIXO e SUFIXO), as desinências (nominais – indicam gênero e número e verbais – indicam pessoa, modo, tempo e número dos verbos), a vogal temática (que indicam a conjugação do verbo – a, e, i) e o tema que é a junção do radical com a vogal temática.
Já no processo de formação das palavras temos a derivação, subdividida em prefixal, sufixal, parassíntese, regressiva e imprópria e a composição que se subdivide em justaposição e aglutinação. Além desses dois processos temos o hibridismo, a onomatopéia e a abreviação como processos secundários na formação das palavras.
No link abaixo você encontra uma lista de radicais, prefixos e sufixos:
www.etepiracicaba.org.br/cursos/exercicios/em/radicais1.pdf
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Orientações para confecção de relatório
IFRJ – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro
Campus Paracambi
Prof. Fábio Fonseca
Língua Poruguesa
Orientações para relatório
“O que faz a memória é a palavra...” (Martinho da Vila, compositor e intérprete brasileiro)
“Não há uma língua portuguesa, há línguas em português” (José Saramago, escritor português)
“No fundo não se está a viajar do ponto de vista geográfico... mas está-se a viajar por pessoas” (Mia Couto, escritor moçambicano)
Comente os três fragementos acima, extraídos do documentário “Língua: vidas em português”, do diretor Victor Lopes, levando em consideração os seguintes aspectos:
• Efeitos da globalização sobre as diferentes culturas;
• Aspectos que resultam em uma ligação entre os diversos povos falantes de português;
• Diferentes maneiras de falar português como fator de interferência nas diferentes maneiras de ser, sobretudo, portugueses e brasileiros.
O relatório deverá ser enviado para este e-mail (fabiocarlos@hotmail.com), em formato Word (.doc, .rtf etc). Não se esqueçam do cabeçalho, pois facilitará a identificação dos alunos. No título do e-mail colocar “trabalho mais o nome e sobrenome do aluno” (p.e. trabalho fábio fonseca). O relatório é individual e intransferível, de maneira que não serão aceitos textos claramente plagiados. Os alunos que lerem este e-mail se encaregam de divulgar aos colegas que não acessam o e-amil com frequência. Uma cópia desta proposta de trabalho está disponível em www.ifrjparacambi.blogspot.com
Campus Paracambi
Prof. Fábio Fonseca
Língua Poruguesa
Orientações para relatório
“O que faz a memória é a palavra...” (Martinho da Vila, compositor e intérprete brasileiro)
“Não há uma língua portuguesa, há línguas em português” (José Saramago, escritor português)
“No fundo não se está a viajar do ponto de vista geográfico... mas está-se a viajar por pessoas” (Mia Couto, escritor moçambicano)
Comente os três fragementos acima, extraídos do documentário “Língua: vidas em português”, do diretor Victor Lopes, levando em consideração os seguintes aspectos:
• Efeitos da globalização sobre as diferentes culturas;
• Aspectos que resultam em uma ligação entre os diversos povos falantes de português;
• Diferentes maneiras de falar português como fator de interferência nas diferentes maneiras de ser, sobretudo, portugueses e brasileiros.
O relatório deverá ser enviado para este e-mail (fabiocarlos@hotmail.com), em formato Word (.doc, .rtf etc). Não se esqueçam do cabeçalho, pois facilitará a identificação dos alunos. No título do e-mail colocar “trabalho mais o nome e sobrenome do aluno” (p.e. trabalho fábio fonseca). O relatório é individual e intransferível, de maneira que não serão aceitos textos claramente plagiados. Os alunos que lerem este e-mail se encaregam de divulgar aos colegas que não acessam o e-amil com frequência. Uma cópia desta proposta de trabalho está disponível em www.ifrjparacambi.blogspot.com
terça-feira, 17 de maio de 2011
A questão do "erro" na educação linguística
Nesta semana um assunto polêmico tomou conta dos noticiários da imprensa. A inclusão do MEC de uma publicação no PNLD provocou reações distintas nos corações mais apaixonados. De um lado os que atacaram a perspectiva diante da língua assumida por uma equipe de professores (mais de uma dezena, que assinam a dita publicação didática); de outro os que saíram em sua defesa. Abaixo são reproduzidos alguns fragmentos e textos na íntegra para que vocês possam se interar do debate e tomar as suas posições. Estão indicados, ao final da postagem, os links de origem para consulta direta. Neste blog corre uma enquete sobre o assunto, não deixe de responder. Afinal: certo ou errado... adequado ou inadequado?Abaixo o conhecimento!
Antes de invadir a Universidade de Salamanca, o general falangista Milán Astray encerrou uma discussão com o reitor Miguel de Unamuno com o grito: “Abaixo a inteligência!”. O Brasil parece hoje tomado por falangistas que têm medo de livros, de escolas, de conhecimento. Bibliotecas estão abandonadas. Escolas malcuidadas. Professores malformados. Alunos semianalfabetos, ainda que tenham diploma de curso superior. O mérito está sendo abolido, substituído por cotas e por aprovação de ano automática. E agora o MEC referenda um livro, distribuído a quase meio milhão de alunos, que apoia o falar errado: “O livro ilustrado mais interessante estão emprestado”. O governo não se importa de contrariar a Constituição que estabelece o Português como a língua oficial do Brasil. Quer abonar o patoá.
Ironicamente, o livro se chama “Por uma Vida Melhor”. Como terá vida melhor alguém que, não aprendendo a língua, não vai se comunicar direito, nem vai conseguir um bom emprego sem se expressar da forma correta? Quem vai à escola é para aprender, e não para ser vítima da esquizofrenia do politicamente correto.
A ideia é liberar o falar errado; fale errado sem medo. Sim, sem medo. Depois se dane, porque você foi nivelado por baixo e terá uma vida sempre nivelada por baixo. Porque se você crescer intelectualmente, tiver mais acesso ao conhecimento, vai querer pensar, tirar conclusões e deixará de votar em demagogos, populistas e mentirosos.
O professor Evanildo Bechara, mestre de todos nós que amamos o nosso País e, em consequência, amamos a língua que nos distingue, afirma que “se o professor diz que o aluno pode continuar falando ‘nóis vai’, porque isso não estaria errado, então esse é o pior tipo de pedagogia. Se um indivíduo vai à escola, é porque busca ascensão social e isso demanda da escola que lhe ensine novas formas de pensar, agir e falar”.
Aqui, a esquizofrenia da frustração pretende uma espécie de bestificação social. Todo somos iguais e todos somos as mesmas bestas. Vai para onde o Brasil desse jeito? A China sabe aonde vai. Há 320 anos manda multidões de jovens para os Estados Unidos, para fazerem pós-graduação. Nas escolas chinesas, o ensino é rígido, é competitivo e premia o mérito. O Brasil despreza esses três meios de se obter sucesso futuro. E fica cada vez pior.
Agora estão terminando o fundamental sem estarem alfabetizados. Os especialistas dizem que no segundo ano já deveriam estar alfabetizados. Quando fiz o primário em grupo escolar, estávamos alfabetizados no primeiro ano. No segundo já interpretávamos leitura, dividíamos e multiplicávamos. Também plantávamos horta para a merenda escolar, sem medo de sujar as mãos com barro e mexer em minhocas, ó ausentes pais urbanos!
Alexandre Garcia
"Não somos irresponsáveis", diz autora de livro com "nós pega"
“Não queremos ensinar errado, mas deixar claro que cada linguagem é adequada para uma situação. Por exemplo, na hora de estar com os colegas, o estudante fala como prefere, mas quando vai fazer uma apresentação, ele precisa falar com mais formalidade. Só que esse domínio não se dá do dia para a noite, então a escola tem que ter currículo que ensine de forma gradual” (Heloísa Ramos, uma das autoras)
Em nota enviada ao iG, o MEC defendeu o uso do livro e afirmou que o papel da escola não é só o de ensinar a forma culta da língua, mas também o de combater o preconceito contra os alunos que falam linguagem popular.
A doutora em linguística e professora da Universidade de Brasília (UnB), Viviane Ramalho, vai além da opinião da autora do livro e defende que a linguagem popular seja ensinada abertamente nas escolas. “O ideal seria aprender todas as possibilidades diferentes até mesmo para respeitar o interlocutor que usa outra variedade linguística”, diz.
“Não queremos ensinar errado, mas deixar claro que cada linguagem é adequada para uma situação. Por exemplo, na hora de estar com os colegas, o estudante fala como prefere, mas quando vai fazer uma apresentação, ele precisa falar com mais formalidade. Só que esse domínio não se dá do dia para a noite, então a escola tem que ter currículo que ensine de forma gradual” (Heloísa Ramos, uma das autoras)
Em nota enviada ao iG, o MEC defendeu o uso do livro e afirmou que o papel da escola não é só o de ensinar a forma culta da língua, mas também o de combater o preconceito contra os alunos que falam linguagem popular.
A doutora em linguística e professora da Universidade de Brasília (UnB), Viviane Ramalho, vai além da opinião da autora do livro e defende que a linguagem popular seja ensinada abertamente nas escolas. “O ideal seria aprender todas as possibilidades diferentes até mesmo para respeitar o interlocutor que usa outra variedade linguística”, diz.
A linguista Juliana Dias acredita que a escola deva ensinar exclusivamente a norma culta e usar a linguagem popular apenas como exemplo durante as explicações. “O popular não cabe para o ensino. Cabe somente para reflexão, discussão, e até para o combate ao preconceito com as formas mais simples de se falar”.
Abaixo o conhecimento!
Abaixo o conhecimento!
"Não somos irresponsáveis", diz autora de livro com "nós pega"
Leia também a defesa feita pela coordenadora pedagógica da editora que lançou o livro
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